Olhemos à vontade o mundo; ninguém nos vai proibir de o fazer. Já que eles são viaja dos e têm experiências dos vizinhos, por que não as aplicam cá? Não se pode ver o teu próximo no abismo quando se tem a fórmula exacta para a resolução do problema. — Ngana Jumbu, o rei Leão é maldoso, porque não nos quer ver bem — afirmou o Galo. — Eu entendo a situação e compreendo o porquê de estares a falar isso, meu rapaz, pois é complicado quando não limpam a capoeira e não dão farelo aos pintos para ma tarem a fome.
— Dizem que vieram ensinar, mas parece que vieram aprender a explorar — murmurou o Macaco, pendurado no velho embondeiro, enquanto observava, ao longe, os homens de pele clara com câmaras na mão.
— Eles aparecem com sacos de roupas usadas e um sorriso largo — continuou a Galinha. — Tiram fotos com os nossos filhos sujos e descalços, depois publicam-nas com legendas como: “Fazendo a diferença em África.” E os fracos correm com aplausos atrás dos fortes; infelizmente, nem todos veem o que está oculto… Pois, quando as câmaras se desligam, voltam aos seus hotéis, e os nossos filhos continuam na lama, enquanto nós permanecemos como porcos atrás do creme de lodo. Há também os que vêm adoptar.
Levam as nossas crianças com promessas de um futuro melhor, mas muitas crescem longe das suas raízes, sem saber que língua falavam os seus pais. Mas também, para onde iremos com essas línguas de cães, que nem sequer mereceram ser estudadas? É o que dizem, sem saber que, desta forma, matam a maior herança de um povo.
Por: ANTÓNIO ARMANDO JORGE








