Há quem olhe para o Cacimbo como uma época menos favorável ao turismo. Céu cinzento, frio ligeiro, menos praia, menos sol e aquela sensação de que Angola fica mais lenta. Mas talvez o nosso erro esteja exactamente aí: continuamos a vender o turismo angolano como se ele de pendesse apenas do calor, da praia e do Verão.
O Cacimbo não é um obstáculo. É um produto turístico mal traba lhado. O mundo inteiro paga para ir ao Algarve em Julho ou a Patagónia no Inverno. Em muitos países, as estações frias são oportunidades económicos, eventos culturais, pacotes de fim-de-semana, experiências de montanha, turismo rural, turismo histórico e campanhas promocionais específicas.
Em Angola, pelo contrário, muitas vezes deixamos a intervalo entre duas fases boas. Esse é o primeiro ponto cego: queremos atrair turistas, mas ainda pensamos pouco em criar razões concretas para as pessoas viajarem dentro do país durante o Cacimbo. Angola tem condições naturais e culturais para transformar esta época num calendário turístico próprio.
A Serra da Leba, a Tundavala, o Cristo Rei, as zonas al tas da Huila, o planalto Central, as quedas de água, a observações de baleias ao largo das baías de Benguela, as fazendas, os roteiros históricos, a gastronomia local, os mercados, os festivais culturais e até as cidades costeiras podem ganhar outra leitura no Cacimbo.
Não precisam oferecer outra experiência. O turismo de Cacimbo deve ser vendido como turismo de descanso, paisagem, cultura, gastronomia e descoberta.
É uma época perfeita para escapadas curtas, viagens em família, turismo in terno, programas escolares, retiros empresariais, eventos de foto grafia, caminhadas organizadas, fins de semana românticos, circuitos religiosos e experiências ligadas à identidade local. Mas para isso é preciso organização. Não basta dizer que Angola tem potencial.
Potencial não paga salários, não enche hotéis e não movimenta restaurantes. O que gera economia é produto organizado, preço claro, transpor te acessível, segurança, informação digital, calendários de eventos e promoção contínua.
Por: DORIX A. RAIMUNDO
Consultor de turismo*









