Maio é o mês dedicado à consciencialização sobre a hipertensão arte rial, uma doença silenciosa que afecta milhões de pessoas em todo o mundo e que representa hoje um dos maiores desafios de saúde pública em Angola.
Apesar de muitas vezes não provocar sintomas, a hipertensão pode causar consequências graves quando não é diagnosticada e tratada atempada mente. Nos últimos anos, Angola tem vivido profundas mudanças sociais e económicas.
O crescimento urbano, as alterações nos hábitos alimentares, o aumento do sedentarismo, o stress diário e o consumo excessivo de sal, álcool e tabaco contribuíram para o aumento das chamadas doenças crónicas não transmissíveis, entre elas a hipertensão arterial e a diabetes.
Hoje, estima-se que cerca de um terço da população adulta angolana tenha hipertensão, mas muitos desconhecem a sua condição. A hipertensão arterial é frequentemente chamada de “assassino silencioso” porque, na maioria dos casos, não apresenta sinais de alerta.
Muitas pessoas sen tem-se aparentemente saudáveis enquanto a pressão arterial elevada vai, lentamente, danificando órgãos importantes como o coração, o cérebro, os rins e os vasos sanguíneos.
Em mui tos casos, o primeiro sinal da doença surge apenas após um acidente vascular cerebral (AVC), um enfarte, insuficiência renal ou insuficiência cardíaca. Por esta razão, o rastreio é fundamental. Medir regularmente a pressão arterial pode salvar vidas.
Trata-se de um exame simples, rápido, indolor e acessível, que pode ser realizado em hospitais, centros de saúde, farmácias, empresas ou campanhas comunitárias. Todas as pessoas adultas devem conhecer os seus níveis de pressão arterial, mesmo quando se sentem bem.
O diagnóstico precoce permite iniciar medidas preventivas antes do aparecimento das complicações. Pequenas mudanças no estilo de vida podem fazer uma enorme diferença: reduzir o consumo de sal, praticar actividade física, evitar o tabaco, moderar o consumo de álcool, manter um peso saudável e controlar o stress são atitudes essenciais para prevenir e controlar a hipertensão.
No entanto, para aqueles que já foram diagnosticados como hipertensos, existe um aspecto igualmente importante: a adesão terapêutica. Muitos pacientes abandonam a medicação as sim que se sentem melhor ou quando os valores da pressão arterial melhoram.
Outros deixamde tomar os medicamentos por esquecimento, dificuldades financeiras ou por acreditarem que o tratamento já não é necessário. Este é um erro perigoso. A hipertensão é, na maioria das vezes, uma doença crónica que exige acompanhamento contínuo e tratamento regular.
Por: MAUER GONÇALVES
Médico Especialista em Cardiologia, Aliva Saúde. Coordenador do Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica, Faculdade de Medicina, Universidade Agostinho Neto*









