Tem sido alvo de debate a afirmação de que a preparação dos professores de Matemática formados nos Institutos Superiores de Ciências da Educação (ISCED) estará na base de alguns dos problemas que há muito se observam no sistema educativo. A questão merece ser discuti da com seriedade. A formação dos professores é, sem dúvida, um elemento fundamental para a qualidade do ensino.
No entanto, atribuir a ela, isoladamente, a origem dos problemas da Educação pode levar-nos a uma análise incompleta da realidade. Concordo, em grande medida, com a necessidade de se repensar a forma como a formação científica e pedagógica tem sido concebida e como os diferentes níveis de ensino têm sido articulados.
A Educação exige conhecimento científico, preparação pedagógica e uma compreensão profunda dos processos de ensino e aprendizagem. Entretanto, é precisamente nos caminhos apontados para a resolução dos problemas que surgem algumas interrogações.
O problema não pode ser visto de forma isolada. Em primeiro lugar, qualquer proposta de reforma deve respeitar as responsabilidades atribuídas a ca da instituição. O sistema educativo é constituído por diferentes estruturas, cada uma com funções específicas.
Quando se transfere uma responsabilidade de uma instituição para outra sem analisar toda a cadeia de formação, corre-se o risco de simplesmente deslocar o problema.
Em segundo lugar, se a preparação dos professores de Matemática for distribuída de acordo com os diferentes ciclos de ensino, permanece uma questão fundamental: quem prepara os professores que actuam no ensino primário? Se determinada instituição ficar responsável pela formação dos professores de um ciclo e outra pela formação dos professores de outro, é necessário também responder claramente sobre quem deverá preparar os docentes que trabalham da 1.ª à 6.ª classe, sobretudo considerando as particularidades da monodocência.
Por: JOÃO NGUMBE





