A história da humanidade é marcada por uma constante: a resistência inicial perante as grandes revoluções tecnológicas. Quando a imprensa de Gutenberg surgiu, temeu-se o fim da memória; quando a internet invadiu as redacções e as salas de aula, previu-se o colapso do ensino tradicional. Hoje, encontramo-nos perante um divisor de águas semelhante — ou ainda mais profundo.
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista ou uma especulação da ficção científica para se tornar, definitivamente, um novo membro da nossa família profissional e académica. Enquanto docente universitário, vivencio diariamente os grandes debates que se levantam em Angola sobre o uso ou a proibição da IA no ecossistema de ensino.
No entanto, tentar passar ao lado desta realidade ou erguer barreiras dogmáticas contra ela é um exercício fútil. A mudança tecnológica não pede licença; impõe-se pela sua eficiência e reconfigura o modo como pensamos, produzimos e ensinamos. Na minha prática docente diária, a IA não é uma ameaça à integridade do saber, mas sim uma aliada estratégica.
O uso constante destas ferramentas proporciona uma sig nifi cativa economia de tempo na elaboração dos processos didácti co-pedagógicos, na planifi cação de aulas e na estruturação de me todologias de investigação.
Longe de substituir a sensibilidade e o rigor humano, a tecnologia assume as tarefas repetitivas, libertando o professor para o que realmente importa: o debate crítico, a orientação personalizada e a mediação do conhecimento.
Por: JACINTO FIGUEIREDO
Jornalista e Professor





