EMPEMA-ENSA BANCO BAI MINEA SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Seg, 11 Mai 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Gramática e currículo oculto: o que realmente se ensina na sala de aula? (Parte 2)

Jornal OPaís por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2025
Em Opinião

Para compreender melhor essa dinâmica, consideremos algumas situações comuns no ensino da gramática em Angola: • Correção da oralidade: um aluno diz em sala: “eu mantei com a minha esposa”.

Poderão também interessar-lhe...

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Dikwanza: o mestre que tudo fazia, mas nada entendia – Vidas de Ninguém (XXI)

Segurança informacional ou “informações falsas”?

O modelo de gestão vencedor do Petro de Luanda

O professor corrige imediatamente: “o certo é: eu mantive com a minha esposa ”. Embora a correcção seja válida, o modo como ela é feita pode transmitir ao aluno que sua forma de falar é “errada”, reforçando o preconceito linguístico, em vez de explicar que se trata de uma variação morfológica em uso na comunidade.

• Ênfase nas provas: muitos professores concentram-se em ensinar a classificação de orações subordinadas porque isso “sempre sai na prova”. Assim, o que se ensina não é a compreensão funcional da língua, mas a repetição de estruturas que asseguram a aprovação.

O currículo oculto, nesse caso, transmite a mensagem de que o conhecimento gramatical serve apenas para “ser aprovado”, e não para a vida.

Ausência de diálogo com textos reais: em muitas aulas, o ensino da gramática dá-se em frases soltas, sem relação com textos literários, jornalísticos ou do quotidiano dos alunos.

O currículo oculto ensina, assim, que a língua é um código fechado e artificial, distante da realidade comunicativa. Outro aspecto relevante é a formação dos professores. Muitos docentes foram eles próprios formados em uma tradição normativa e reprodutiva, na qual a gramática era vista como um corpo de regras fixas a serem memorizadas.

Ao entrarem em sala de aula, tendem a reproduzir essa mesma lógica, perpetuando o currículo oculto. Sacristán (2000) lembra que os professores são agentes curriculares, e suas escolhas didácticas refletem concepções de língua, de ensino e até de sociedade.

Assim, ao ensinar gramática de forma normativa e punitiva, o professor não apenas transmite conhecimento linguístico, mas também uma visão ideológica da língua como instrumento de exclusão.

Apesar dessas limitações, é possível transformar o ensino da gramática para que o currículo oculto seja ressignificado em favor de uma aprendizagem crítica e significativa. Algumas estratégias incluem:

1. Articulação entre gramática e uso: ensinar conceitos gramaticais a partir de textos reais (provérbios, crônicas, canções, notícias, narrativas orais). Isso permite que o aluno veja a gramática como algo vivo, ligado ao quotidiano.

2. Valorização da variação linguística: explicar aos alunos que existem diferentes variedades da língua, todas legítimas, mas que em certos contextos (como concursos, provas ou documentos oficiais) a norma-padrão é mais adequada. Essa perspectiva, defendida por Bortoni-Ricardo (2005), evita o preconceito linguístico.

3. Gramática reflexiva: em vez de impor regras, propor actividades em que os alunos descubram padrões, reflitam sobre usos e comparem construções linguísticas. Isso aproxima a gramática da análise linguística moderna.

4. Integração de metodologias activas: jogos, debates, dramatizações e produções textuais podem ser usados para ensinar tópicos gramaticais de forma participativa, rompendo com o modelo puramente expositivo.

Quando se ensina gramática, não se ensina apenas língua: ensina-se também uma forma de ver o mundo. Se o currículo oculto reproduz preconceitos e desigualdades, cabe à escola e ao professor transformá-lo em um espaço de cidadania linguística.

Isso significa ajudar os alunos a compreenderem que a língua é plural, dinâmica e diversa, e que o domínio da norma-padrão deve ser uma ferramenta de inclusão, e não de exclusão.

A gramática, nesse sentido, deixa de ser apenas um conjunto de regras para se tornar um instrumento de reflexão crítica sobre a sociedade.

Por: ANDRÉ CURIGIQUILA

Professor

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Dikwanza: o mestre que tudo fazia, mas nada entendia – Vidas de Ninguém (XXI)

por Domingos Bento
8 de Maio, 2026

Mestre Dikwanza era um homem sem pá tria e sem papéis. Vindo da República Democrática do Congo, cruzou a fronteira...

Ler maisDetails

Segurança informacional ou “informações falsas”?

por Jornal OPaís
8 de Maio, 2026

Num tempo em que guerras já não se travam ape nas com armas convencionais, mas também com dados, manipulação digital,...

Ler maisDetails

O modelo de gestão vencedor do Petro de Luanda

por Jornal OPaís
8 de Maio, 2026

Há clubes que vencem campeonatos, há outros que marcam épocas e existem aqueles raros que conseguem transformar-se numa referência institucional,...

Ler maisDetails

O futuro da África Austral não está a ser decidido nos estádios — mas à volta das mesas

por Jornal OPaís
8 de Maio, 2026

Enquanto milhões de africanos continuam a olhar para o desporto apenas como entretenimento, competição ou espectáculo, uma transformação silenciosa começa...

Ler maisDetails

Radiomais em 4 Vozes: Novos Podcasts

Familiares das jovens supostamente abusadas por líder religioso no Lubango acusam SIC de abafar o caso

10 de Maio, 2026

Ministério da Educação reforça rede escolar do Cubango com mais de 10 mil carteiras

10 de Maio, 2026

PR autoriza concurso público para requalificação urbana do Dundo

10 de Maio, 2026

Norovírus infecta mais de 100 pessoas no cruzeiro nas Bahamas

10 de Maio, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.