Em apenas dois jogos disputados na temporada futebolística 2026/2027, um para a Supertaça e outro para o Girabola, o avançado do Wiliete de Benguela, Gilberto “Gibelé”, voltou a encher os olhos dos adeptos do desporto-rei com excelentes exibições. Fruto das boas prestações, o avançado, de 25 anos, formado no Real Sambila, foi distinguido como melhor em campo nos dois jogos, apesar de a sua equipa ter perdido o troféu que abriu oficialmente a época.
Acho que é justo reconhecer que este é o Gibelé que os amantes do futebol querem ver dentro das quatro linhas. Eleito recentemente o Jogador Mais Popular da temporada passada, na Gala dos Melhores do Futebol Angolano, o atacante parece determinado a justificar, em campo, todo o talento que lhe é reconhecido. A sociedade, aliás, não deve servir apenas para atirar pedras quando alguém erra.
Num passado ainda recente, Gibelé foi alvo de muitas críticas devido a comportamentos menos positivos fora das quatro linhas, situação que terá contribuído para o insucesso das suas passagens pelo Orlando Pirates, da África do Sul, e pelo Petro de Luanda. O jogador chegou, inclusive, a ficar de fora das últimas convocatórias dos Palancas Negras.
Agora, nesta nova odisseia ao serviço do clube da Rua Bartolo- meu Dias, sob orientação de Beto Bianchi, parece que o rapaz encontrou uma nova postura e percebeu que não se deve brincar com a sorte de quem recebeu um talento especial para jogar futebol. Ainda bem que o jogador começou a temporada em bom nível e a marcar golos.
Quem ganha com isso não é apenas o Wiliete de Benguela, mas também, futuramente, a Selecção Nacional. No CAN 2023, realizado na Côte d’Ivoire, Gibelé foi uma das figuras importantes dos Palancas Negras, contribuindo para a campanha que levou Angola aos quartos-de-final da competição organizada pela CAF. Por isso, recuperar a melhor versão do jogador seria uma excelente notícia para o futebol angolano.
É verdade que ainda é muito cedo para concluir que o atleta deixou definitivamente as festas, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou os jogos de rua sem autorização do clube. Duas partidas não são suficientes para avaliar uma mudança de comportamento.
Mas, dentro das quatro linhas, os sinais são animadores: Gibelé tem aparecido endiabrado, com fintas, assistências, golos e uma participação cada vez mais frequente no processo defensivo. Se está realmente de regresso? Só o próprio Gilberto “Gibelé” poderá responder. E terá de fazê-lo não apenas com palavras, mas sobretudo com aquilo que melhor sabe fazer: jogar futebol.
A temporada será longa e exigente, com o Wiliete envolvido na Liga Unitel Girabola, na Taça de Angola e na Liga dos Campeões Africanos. Haverá muitos jogos, pressão, viagens e momentos difíceis. Será nessa maratona que Gibelé terá a oportunidade de provar se aqueles dois primeiros jogos foram apenas um bom arranque ou o início de uma nova fase da sua carreira. Por agora, resta ‘torcer’ para que o talento esteja, finalmente, acompanhado de maturidade. Porque, quando Gibelé joga assim, quem agradece é o futebol nacional.





