Como seria bom se um dia pudéssemos todos fazer as suas escolhas sem que isso significasse para alguns motivos de polémica. Em Angola, aos poucos, vão surgindo indivíduos que se convenceram de que as suas opções devem ser também as dos outros, tanto a nível desportivo, político e até religioso.
Acompanhei com atenção os pronunciamentos do músico Kid MC, um dos maiores rappers da nossa praça, que manifesta a sua escolha pelo MPLA enquanto opção política e na continuidade do Presidente João Lourenço na liderança desta organização.
Como não poderia deixar de ser, as reacções não demoraram, algumas das quais até intimidatórias, como se, enquanto cidadão, o músico não pudesse ter a sua opção política, nem tão pouco se envolver em acções do género.
Alguns fundamentalistas democráticos consideram errada a escolha. Para estes, o jovem cantor deveria se filiar numa outra sigla. É admirável as manifestações, sobretudo de indivíduos que se dizem paladinos da democracia, mas não conseguem sequer reconhecer que cada cidadão no país goza da liberdade de se filiar na organização que melhor entender.
É curioso que alguns chegaram mesmo a propor que se deve banir o músico, cancelando as suas músicas. Alguns ousaram dizer que, doravante, não passarão mais a escutar as suas lindas músicas, muitas das quais apelam aos bons costumes, democracia, liberdade e não só. Infelizmente, a polarização política em Angola vai-se tornando cada vez mais evidente.
Quando se fala de intolerância política, os seus sintomas estão muito além daquilo que se observa somente entre políticos propriamente ditos. À medida que as eleições se vão aproximando, infelizmente os níveis de intolerância em determinados sectores da vida política e social agudizam-se cada vez mais.
Há uma forte tendência de muitos angolanos acharem que as suas escolhas são as melhores e cada um de nós deveria obedecer a uma certa fidelidade canina, seguindo as suas peugadas.
A maneira como muitos defendem as suas teses evidencia que, se tivessem poder suficiente, não espantaria se impusessem um regime de partido único, porque são avessos às ideias contrárias, embora travestidos de supostos democratas.
Com mais de 34 milhões de angolanos, já é tempo suficiente para alguns perceberem que cada um é livre de escolher o partido que melhor lhe convence. E é isso que o Kid MC fez quando optou por escolher o MPLA, no qual o próprio milita há algum tempo.





