Cada dia que passa, sente-se cada vez mais a necessidade de muitos dos políticos da nos sapraça, de preferência os da oposição, conversarem com os espelhos que possuem em casa, para, no mínimo, poderem observar as grandes diferenças entre o que eles próprios são e o que têm estado a reflectir como imagem.
O episódio mais recente que envolve as declarações do Primeiro Secretário da UNITA em Luanda, que hoje é popularmente conheci do como “segura mandioca”, contra o líder do PRA-JA Servir Angola, que está longe de ser um caso isolado, revela isso.
É, na verdade, um sinal claro de que a disputa do “tudo ou nada”, segue uma crise maior do que birra política no seio da oposição em Angola, dando sinais inequívocos não só de fissuras, mas também uma certa dose, a torto e a direito de desespero que já não se consegue esconder.
O mais perturbador, porém, não é apenas o que o “segura mandioca” relatou no vídeo que viralizou nas redes sociais, quando afirmou com todos os dentes completos e (toda largura) da sua bocaque “todos viram as imagens das caixas térmicas em circulação, que considero autênticas. Um político com a dimensão do ‘mano’ Abel só mesmo em Angola; na Europa, es taria detido”, fim de citação.
É caso para dizer que a descoordenação continua firme, forte e feio no seio da oposição , com ares de que é melhor tirar o cavalhinho da chuva se pensar que o último camelo vai passar pelo buraco da agulha em 2027.
O que se ouviu no referido vídeo, se não for o cúmulo duma espuma mediática, então chega mesmo a aproximar-se a uma espécie de angústia depressiva que, com ironia, já nem disfarça a realidade de mais um atentado contra a sanidade mental de qualquer angolano razoavelmente com juízo na cabeça.
Às vezes, tento entrar na cabeça, na alma e no espírito dos políticos da oposição para perceber como eles próprios não reconhecem os sucessivos tiros no pé e grana das no bolso que vão fazendo explodir contra a sua imagem, mas depois esbarro sempre na mesma pergunta, tão simples quanto de vastadora: mas essa gente é mesmo séria para ser levada a sério? Os cidadãos querem conhecer ideias alternativas, propostas concretas, caminhos diferentes.
Pouco lhes importa se alguém vestiu gravata, fez pose para a foto, ou leva caixas térmicas com elevadas somas monetárias. Em vez de explorarem as fragilidades, com as devidas excepções e aspas do partido no poder, conseguem fazer ainda pior. Nem agenda política (ideias para este ano) mostram. É exactamente por essas e outras que já disse que muitas pessoas aderem a partidos da oposição por causa da fome, não por causa de “melhores ideias”, com as de vidas excepções e aspas.
A caminho das eleições gerais de 2027, este comportamento pode ter efeitos nefastos e devastadores, tu do menos para “espantar a caça”. Afinal a erosão eleitoral não acon tece de um dia para o outro.
Ela constrói-se aos poucos, em cada palavra mal medida, em ca da ataque sem sentido, em cada oportunidade perdida de apresentar soluções reais.
Mas, o jogo político é isso mesmo. Parece que vale tudo, até arrancar os olhos e as matubas dos outros, mas é o jogo. E ele fica complicado, quando para lá da ética, desprovido de elevação, responsabilidade e sentido de Estado, é suplantado por outros valores.
Por isso fica aqui a consultoria da da de forma gratuita: se a oposição quiser ser alternativa, tem de deixar de continuar dar verdadeiros saltos de galo, principalmente se for dado em marcharé. E o eleitor, esse que não tem sangue de barata continuará apenas a observar… e a decidir.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS









