O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acredita que o conflito na Ucrânia está perto do fim e critica os países ocidentais pelo seu apoio a Kiev. “Acho que o assunto está a chegar ao fim”, afirmou Sábado Putin aos jornalistas após a Rússia realizar o desfile do Dia da Vitória mais discreto dos últimos anos
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 desencadeou a crise mais grave nas relações entre a Rússia e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, quando muitos temiam que o mundo estivesse à beira de uma guerra nuclear. Sobre o apoio ocidental à Ucrânia, Putin considera que “começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje”.
“Acho que isto está a chegar ao fim, mas a situação continua grave”, frisou. Questionado sobre se estaria disposto a dialogar com os líderes europeus, o presidente russo disse que a figura da sua preferência seria o ex-chanceler ale mão Gerhard Schröder. “Para mim, pessoalmente, o ex-chanceler da República Federal da Alemanha, Sr. Schrö der, é preferível”, respondeu Putin, que acrescentou que um encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky será possível, num terceiro país, massó depois de estar firmado um acordo de paz duradouro.
“Seria possível reunir num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz, que deverá ser desenhado com uma perspectiva a longo prazo”, declarou à imprensa, segundo a agência de notícias russa TASS, citada por outras agências internacionais. Esta não é também a primeira vez que o antigo chanceler alemão Gerhard Schröder é referido num contexto de possíveis negociações para o fim da guerra lançada pela Rússia contra a Ucrânia.
Em Agosto de 2022, Schröder fez uma visita a Moscovo, após a qual disse que a Rússia queria uma “solução nego ciada” para o conflito na Ucrânia. “A boa notícia é que o Kremlin quer uma solução negociada”, disse na ocasião Schröder, numa entrevista ao semanário Stern, na qual confirmou ter-se encontrado com Vladimir Putin, em Moscovo, dias antes.
O antigo chanceler alemão foi duramente criticado na altura pela sua família política, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), por causa dos seus laços com Putin, que o antigo chanceler de fende não ter motivos para quebrar. Putin falou também sobre a troca de prisioneiros anunciada, na Sexta-feira, pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que a Rússia ainda não recebeu qualquer proposta da Ucrânia.
“Contamos com a parte ucraniana para responder à proposta feita pelo Presidente dos Estados Unidos. Infelizmente, até hoje ainda não recebemos qualquer proposta”, afirmou. Nenhum líder internacional participou sábado do desfile do Dia da Vitória.
O ministro da Defesa russo, Andréi Beloúsov, foi o encarregado de comandar a parada, que coincide com o quinto ano de guerra na Ucrânia. Como é tradição, Beloúsov subiu ao pódio para informar o comandante supremo das Forças Armadas, Putin, de que as tropas estavam preparadas para começar a marcha que transcorreu sem armamento pesado pela primeira vez desde 2007, devido ao que o Kremlin denomina ameaça terrorista ucraniana.
O desfile, marcado pela ausência de equipamentos militares e que durou 45 minutos, foi conforta do ‘in extremis’ pela entrada em vigor de uma trégua de três dias anunciada na véspera pelo Presidente dos EUA. Ameaças de ataques de drones ucranianos para perturbar as cerimónias que marcam a vitória soviética contra a Alemanha nazi e de ataques russos em represália contra o centro de Kiev pairaram nos dias anteriores. O desfile ocorreu sob alta segurança.









