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Osvaldo Mboco: “A união Europeia não é a salvação da União Africana ou de África”

Sebastião Félix por Sebastião Félix
28 de Novembro, 2025
Em Entrevista
Jacinto figueiredo

Jacinto figueiredo

Na ressaca da Cimeira União Africana – União Europeia, que a capital angolana, Luanda, acolheu de 25 a 26 do corrente mês, na presença de vários Chefes de Estado e de Governo de ambos os continentes, o especialista em Relações Internacionais, Osvaldo Mboco, falou, para OPAÍS, das vantagens do encontro. Entre outros assuntos, referiu que a diplomacia angolana mostrou-se forte, uma vez que Angola foi durante 48 horas o centro da análise política internacional para as futuras gerações

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Arealização da Cimeira União Africana (UA) – União Europeia (UA) em Luanda pode ser considerada uma vitória para o continente?

Não necessariamente uma vitória. Não pode ser entendida como uma vitória diplomática, porque, no âmbito dessa parceria existente entre a União Africana (UA) e a União Europeia (EU), há o princípio da rotatividade do ponto de vista da organização da Cimeira. A primeira, em 2000, foi no Cairo, Egipto, a penúltima foi em 2006, em Bruxelas, Bélgica, e agora a última realizou-se em Luanda, Angola. E, por estar a presidir à União Africana, chamou o encontro para Luanda

E para a diplomacia angolana?

É importante, aqui, dizer que foi realmente uma vitória da diplomacia angolana, que conseguiu, primeiro, fazer com que a cimeira decorresse em Luanda, porque a cimeira poderia ter decorrido em Addis Abeba, Etiópia, onde está a sede da União Africana. Mas decorreu em Luanda.

O encontro colocou ou não a diplomacia angolana à prova?

Até certo ponto, a organização da Cimeira pôs à prova a diplomacia angolana do ponto de vista da organização e do desdobramento, porque pressionou a acção política em Luanda. Penso que o trabalho que fizemos, do ponto de vista diplomático, para a realização dessa cimeira, mesmo a organização, Angola não deveu a ninguém. É claro que depois perguntamos o que é que nós vamos ganhar ao albergar uma cimeira dessa natureza. Temos que entender que há ganhos políticos, diplomáticos, simbólicos. E o grande simbolismo é o facto de que Angola conseguiu, durante esses dois dias, ser o centro das atenções da política internacional, onde conseguiu reunir, pela primeira vez, o maior número de Chefes de Estado de Governo da Europa e de África em Luanda. Um outro ganho é que conseguimos projectar a imagem do país como seguro e que tem capacidade de albergar e organizar eventos dessa dimensão. É importante para a própria imagem do Estado angolano no cenário internacional. Portanto, a cimeira não é de Angola. No entanto, é, sim, da União Africana com a União Europeia.

Falou e muito bem dos ganhos. No continente, os jovens querem acções concretas…

Repare o seguinte: antes houve um fórum dos jovens da sociedade civil e, do ponto de vista das deliberações, o encontro recomendou aos líderes, quer africanos, quer europeus, maior facilidade nos vistos para a questão da mobilidade. Se for operacionalizado, isto não será simplesmente um ganho do país, será um ganho que também transcende às pessoas, por um lado. Assistimos à União Europeia a apresentar projectos estruturais que concorrem significativamente para o desenvolvimento e o crescimento económico, quem sai a ganhar também são os cidadãos que vão se beneficiar dessas infra-estruturas. Então, muitas vezes queremos ver os ganhos de forma rápida, tangível. Houve ainda um fórum de negócio, com certeza, vieram muitos empresários e esses a posterior podem fazer negócios em Angola. Então, aqui há elementos que são importantes no âmbito desses encontros. Não se pode simplesmente olhar para ganhos tangíveis “ab initio”, mas pode-se olhar também aqui para ganhos que permitem a execução de uma série de tarefas. Fica a ideia de que Angola é um país seguro, do ponto de vista político, do ponto de vista militar, e isso é um elemento importante para os que pretendem investir num determinado país.

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