Em entrevista exclusiva a este jornal, o atleta, de 37 anos, que representa as cores do Wiliete de Benguela, Bartolomeu Domingos da Costa, conhecido nas lides do desporto-rei por “Tobias”, fez uma detalhada retrospectiva do seu percurso, recordou o momento mais crítico da carreira em que ponderou o abandono dos relvados e revelou as suas rotinas fora das quatro linhas. Além disso, o jogador, que na época recém terminada marcou dois golos, perspectivou a Liga dos Campeões Africanos
A ligação do atleta com o desporto-rei começou nas ruas da província da Huíla, num contexto puramente recreativo e comunitário. O central deu os primeiros toques na bola nos campos do Mandume e do Chicafa, localizados no bairro Calumbiro, na cidade do Lubango, onde despertou a sua paixão pela modalidade.
Fez questão de assinalar que o início dessa caminhada ficou marcado pelo suporte incondicional daqueles que acompanhavam de perto as suas dificuldades e os seus anseios de infância. Tobias sublinhou que o apoio moral de amigos próximos e de familiares directos funcionou como a base de sustentação para transformar o sonho em realidade.
A transição para o profissionalismo exigiu elevados sacrifícios e colocou à prova a capacidade do jovem joga dor em lidar com decisões administrativas complexas. O defesa apontou o ano de 2013 como o período mais severo da sua trajectória, devido a uma dispensa inesperada do plantel do Desportivo da Huíla. Na altura, a direcção do clube huilano decidiu não renovar o vínculo contratual com o atleta para abrir vagas na inscrição de novos jogadores.
O clube priorizou a integração de atletas cedidos a título de empréstimo pelo 1.º de Agosto, que deveriam reforçar a equipa na segunda-volta do Girabola. A decisão apanhou o futebolista de surpresa, numa fase em que lidava com a sua primeira experiência profissional fora da sua zona de conforto e sem nunca ter saído da província.
O afastamento das opções técnicas aba lou profundamente a estabilidade emo cional do defesa central. Tobias confessou que, diante do cenário de exclusão e da incerteza quanto ao futuro, manifestou a intenção clara de desistir da carreira futebolística de forma precoce.
O impasse acabou por ser supera do através do suporte espiritual e da abertura do mercado de transferências naquele mesmo ano. A reviravolta no percurso desportivo do central consumou-se com a assi natura de um novo contrato de trabalho com o Benfica do Lubango, ainda em 2014.
A mudança de emblema permitiu ao jogador manter-se activo no Campeonato Nacional e dar continuidade ao seu processo de evolução técnica. Depois de vestir as cores do Benfica do Lubango, representou o 1.º de Maio de Benguela (em 2015), Kabuscorp do Palanca (2017), Recreativo da Caála do Huambo (2018/2020) e Bravos do Maquis do Moxico (2020/2022).
Na época 2022/2023, voltou a jogar pelo Desportivo da Huíla, período em que conquistou a Supertaça, mercê do triunfo diante do Petro de Luanda (3 1) na marcação das grandes penalidades.
Por: Kiameso Pedro








