Em exclusivo a este jornal, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, olha para os assuntos internos da instituição que gere desde Setembro de 2022, a começar pela questão do estado actual do sector, em que a aquicultura é o foco; olha ainda pela pesca ilegal que afecta 20% do total de produção; fala sobre novos projectos, incluindo o navio Baía-Farta, sobre a Semana da Economia Azul da União Africana, que acontece em Julho, e, claro, não deixou de parte a polémica em torno do sindicato
Como é que está o sector das pescas neste preciso momento?
O sector das pescas está num crescimento tridimensional, e eu digo tridimensional porque nós estamos a materializar vários aspectos que não só estão a desconstruir a narrativa de que o sector das pescas era somente pescar, da pesca extractiva, mas estamos a trazer uma estabilização para esta mesma pesca extractiva.
O que está a acontecer na prática?
Nós estamos a fazer um crescimento da aquicultura, trazendo a produção das espécies a serem produzidas em água, das espécies aquícolas, a fim de poderem contribuir melhor para o desenvolvimento; e, numa terceira dimensão, efectivamente, nós estamos a trazer a economia azul. Portanto, eu diria que, neste momento, está-se a dar não só a requalificação do sector, mas também a redimensionar a comparticipação do sector no crescimento do país e, por último, na diversificação económica.
Qual é o impacto que se espera com essa tridimensionalidade que refere?
Efectivamente, o que se espera, o que hoje nós estamos a encontrar, se fizermos um benchmarking com outros países, é que a pesca extractiva está quase a trazer e forçosamente uma paragem em quase todos os oceanos. Eu diria que, sobre pesca, que é o excesso de barcos a pescar, os métodos também contribuem, mas, efectivamente, o que mais contribui para esse declínio da pesca extractiva são as alterações climátiicas. Não podemos fugir. Os eventos extremos também ocorrem no mar, ou, se melhor entendermos, muitos deles começam a partir do mar.
Para além dessas alterações, o que afecta a redução da quantidade do peixe que actualmente registamos?
Obviamente que, para além dessas alterações, fazem mesmo alterações nas massas de água, como eu disse, a sobrepesca, também um pouco a poluição marinha; neste caso, até eu diria que não só a poluição por líquidos ou por fluidos, mas também a poluição por solos, plásticos; portanto, tudo isso configura em alterações do ecossistema e, designadamente, alterações das quantidades disponíveis para a pesca. Então, é esse impacto que é o mais definido ao longo de todo o planeta que traz essa nova política, que é fazer o peixe.
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