Em entrevista ao jornal OPAÍS, o presidente do Sindicato dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, falou dos problemas do sector, assim como apontou caminhos para dias melhores. Durante a conversa, o também professor e pediatra no Hospital David Bernardino, em Luanda, abordou a organização do sistema de saúde, sendo que os cuidados preventivos, como campanhas de vacinação, limpeza, entre outras, influenciam positivamente os níveis de assistência primária. Por isso, Adriano Manuel reiterou ser importante continuar a dialogar com as autoridades, no sentido de todos contribuírem para o desenvolvimento do país e de haver um bom legado para as gerações vindouras
A Lei de Bases de Saúde Pública vigente no país (ainda) satisfaz os interesses da vossa classe?
Confesso que não tive acesso à última lei que foi aprovada pela Assembleia Nacional. Não foi, com alguma antecipação, amplamente discutida pelos parceiros; falo concretamente do Sindicato dos Médicos de Angola (SIMEA). No entanto, a lei anterior, com uma ou outra emenda, na minha perspectiva, satisfazia os anseios da classe médica. Mas a lei anterior estava talhada no sentido de termos uma saúde de qualidade no nosso país.
Falou em qualidade dos serviços de saúde pública. Do ponto de vista prático, houve alguma materialização?
Claro que não. Uma coisa é o que está no documento, outra coisa é a perspectiva no sentido de termos um sistema de saúde organizado. Saúde pública, do ponto de vista da medicina, é uma forma de prevenir doenças, prevenir incapacidades e melhorar a longevidade da vida. Isto é o que é saúde pública. É o que se passa actualmente no nosso país.
Qual é, neste momento, a condição social do médico?
Não é das melhores. Porque o médico está inserido na sociedade. O médico tem problemas que toda a sociedade vive. Uma vez que a exiguidade salarial é para todo o angolano, a dificuldade de transporte é para todo o angolano, o preço dos alimentos é para todo o angolano, as dificuldades de saúde e assistência médica são para todos os angolanos. O médico, em condições normais, devia ter, por exemplo, um tratamento especial, tendo em conta a especificidade do seu trabalho.
Como assim?
Falo de tratamento especial, por exemplo, quanto às deficiências de saúde. Não temos acesso à assistência médica. Ninguém nos assiste! Não temos um médico do trabalho ao lado do médico. O médico, de seis em seis meses, de um em um ano, devia fazer um check-up. O Ministério da Saúde não proporcionou um médico do trabalho para a classe. Daí que vamos observando, volta e meia, um médico que morre de AVC, um médico que está com problemas de diabetes, com problemas graves, porque não tem assistência médica.
A assistência médica, do vosso lado, é uma exigência legal?
É uma exigência legal. Em qualquer parte do mundo é uma exigência legal. O que se passa é que nós temos um Ministério da Saúde que só quer trabalho. Não olha para a questão da saúde dos seus trabalhadores.
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