Angola é um país rico em línguas, resultantes da diversidade de povos, culturas e tradições que constituem a identidade do país. Neste contexto, a necessidade de preservar e valorizar o património cultural e linguístico nacional levou o Estado angolano a promover a inserção das línguas nacionais no sistema de ensino, particularmente no ensino geral.
Esta iniciativa constitui um passo importante para a valorização da identidade cultural angolana e para a preservação das línguas transmitidas de geração em geração.
Entretanto, apesar da importância dessa iniciativa, observa-se uma maior incidência na implementação de línguas como o Kimbundu e o Umbundu em muitas instituições de ensino, sobretudo nas escolas de Luanda, enquanto outras línguas nacionais parecem ter menor presença no contexto escolar.
Importa, contudo, esclarecer que essa realidade não significa necessariamente que exista uma orientação oficial do Ministério da Educação para privilegiar determinadas línguas, podendo estar relacionada com critérios administrativos, pedagógicos, disponibilidade de professores ou localização geográfica das instituições.
Ainda assim, a situação merece reflexão, uma vez que as escolas acolhem alunos provenientes de diferentes regiões do país, cujas famílias possuem diferentes línguas maternas.
Quando a língua ensinada na escola não corresponde à língua de origem do aluno, surge uma questão importante: como garantir que esse aluno também se sinta representado e veja a sua herança linguística valorizada? A valorização de algumas línguas nacionais não deve significar a desvalorização das demais. Angola possui uma diversidade linguística que constitui uma das suas maiores riquezas culturais.
Por isso, as políticas de ensino das línguas nacionais devem procurar garantir, dentro das possibilidades do sistema educativo, um tratamento equilibrado e inclusivo das diferentes comunidades linguísticas.
Existe o risco de que, a longo prazo, uma concentração excessiva em determinadas línguas contribua para aumentar a sua influência social e cultural, enquanto outras vão perdendo espaço entre as gerações mais jovens. Se uma criança cresce num ambiente escolar onde a sua língua familiar não encontra reconheci mento, poderá progressivamente deixar de utilizá-la ou de transmiti-la às gerações seguintes.
A escola desempenha, portanto, um papel fundamental na preservação da diversidade cultural e linguística. Mais do que questionar a presença do Kimbundu, do Umbundu ou de qualquer outra língua nacional, é necessário discutir como garantir que todas as comunidades linguísticas encontrem espaço no sistema educativo.
Para isso, seria importante que o Ministério da Educação e as instituições de ensino tornas sem claros os critérios utilizados na selecção das línguas implementadas em cada escola ou região, permitindo compreender as razões dessa escolha e evitando possíveis percepções de favorecimento ou exclusão. A inserção das línguas nacionais no sistema de ensino angolano é uma iniciativa necessária e positiva para a preservação da identidade cultural do país.
Contudo, essa valorização deve ser inclusiva, equilibrada e capaz de reconhecer a diversidade linguística existente em Angola. Valorizar uma língua nacional é importante; valo rizar todas as línguas que constituem a riqueza cultural de Angola é um compromisso ainda maior com a preservação da identidade nacional.
Por: LUDYJÚNIOR SEBASTIÃO










