Cabinda é um dos destinos que gostaria de visitar sempre. Sinto-me bem nesta província situada a Norte do país. Mas, nos últimos tempos, a experiência não foi tão boa devido às dificuldades que existem para se conseguir um bilhete de passagem.
A última vez em que pisei nas terras do Maiombe, o regresso a Luanda foi extremamente penoso. Aliás, não só para mim, como para todos os outros passa geiros que se encontravam no aeroporto. Uma via
gem que tinha de acontecer às primeiras horas do dia acabou por se realizar ao anoitecer.
Mas, antes disso, conseguir um bilhete de passagem acabou por ser um bico-de-obra. Durante muito tempo, era quase impossível conseguir uma reserva, sendo que algumas informações que circulavam junto das agências indicavam que só dispunham para Janeiro do próximo ano.
A forma como os bilhetes para Cabinda saíam rapidamente de circulação evidenciava a existência de qualquer negociata. E depois os mesmos bilhetes eram vendidos a preços extremamente caros, ché gando a custar em económica mais de 200 mil kwanzas, criando sérios constrangimentos à população local, encarecendo os produtos e serviços para a província.
A direcção da TAAG optou por afastar as vendas de bilhetes por parte das agências de viagens e terceiros. E, num ápice, surgiram cerca de 10 mil lugares até Dezembro do ano em curso, quando anterior mente se dizia não existir disponibilidade.
Uma vez mais fica patente que a população local era submetida a um sacrifício por conta dos interesses inconfessos de muitos, que, na busca pelo lucro fácil, retinham as referidas reservas para, posteriormen te, comercializá-las, triplicando ou quadruplicando os dividendos.
É claro que a decisão da TAAG poderá merecer de muitos uma apreciação negativa. Mas é a mais justa se se quiser criar melhores condições de viagem para os que vivem, trabalham ou fazem turismo na província mais a Norte do país. Recentemente, por conta dos atrasos e da procura por bilhetes que não surgiam, alguns populares manifestaram-se em pleno aeroporto, uma situação que não foi nada agradável.
Para o próximo mês de Outubro, por exemplo, a província de Cabinda vai mesmo sofrer uma revolu ção a nível do transporte de pessoas, mercadorias e até mesmo de veículos ligeiros, sobretudo.
A entrada em cena do ferry boat será a cereja no topo do bolo, como se soe dizer. E cremos que, com ele, os preços das mercadorias, e não só, deverão sofrer uma ligei ra queda. Há muito que se anseiava por dias melhores para Cabinda. E, ao que tudo indica, ele está mais próximo do que se pode imaginar.












