Há um conceito simples, ensinado em qualquer curso sério de gestão da marca, que devia estar no centro da conversa sobre o momento que Angola atravessa. Chama-se pirâmide da notoriedade, e tem quatro degraus.
No fundo, a ausência de notoriedade, quando a marca simples mente não existe na mente do público. Acima, a notoriedade assistida, quando alguém reconhece o nome, mas só quando é lembra do dele.
Mais acima ainda, a notoriedade espontânea, quando o nome surge por iniciativa própria, sem estímulo. E, no topo, o top of mind, o lugar cativo na primeira lembrança, quando a categoria inteira evoca, automaticamente, aquele nome.
A chegada de LeBron James e Will Smith a Luanda, para o E1 Luan da Grand Prix, é um movimento de manual rumo ao segundo degrau desta pirâmide. Isto não é, ainda, notoriedade espontânea, ninguém vai pensar em Angola de forma automática só por que LeBron James e Will Smith cá estiveram.
Mas é um salto genuíno da ausência para a notoriedade assistida, o primeiro degrau real de qualquer construção de marca-país. O Ruanda já percorreu este caminho.
Desde 2018, o país da região dos Grandes Lagos investe cerca de treze milhões de dólares anuais para estampar “Visit Rwanda” nas mangas do Arsenal, acordo depois alargado ao PSG, à Baske tball Africa League, e a equipas norte-americanas como os LA Rams.
O retorno é assinalável, as receitas turísticas cresceram de 498 milhões de dólares em 2018 para 650 milhões em 2024, um aumento de 47%, embora analistas notem que o crescimento pré parceria, entre 2010 e 2017, tenha sido ainda mais acentuado.
O modelo carrega também um custo reputacional sério, acusações de usar o desporto para desviar as atenções de um envolvi mento controverso em conflitos armados na região, e, em Novembro de 2025, Arsenal e Ruanda anunciaram o fim mútuo da parceria, com Kigali a redireccionar investimento para o mercado norte-americano, onde os visitantes já geram quase o dobro das receitas dos europeus.
É uma lição valiosa, o mecanismo de construção de marca através do despor to funciona e acelera tendências, mas não substitui crescimento orgânico já existente, e a legitimida de da narrativa por trás dele tem de resistir ao escrutínio.
O Brasil oferece outra lição, mais paciente. Não foi um único evento que construiu a marca brasileira no imaginário internacional. Foi a soma, ao longo de décadas, de exportação cultural consistente, telenovelas, música, carnaval, a par de grandes eventos desportivos, que fixou o Brasil no top of mind global associado à alegria, cor e hospitalidade.
A lição não é o evento isolado. É a repetição, ano após ano, da mesma narrativa, até essa narrativa se tornar reflexo automático.
Por: AMADEU CASSINDA










