O discurso do Presidente João Lourenço na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, profe rido a 22 de Setembro de 2026, é um diagnóstico cirúrgico e incómodo da condição actual do sistema internacional.
Num momento em que a ordem liberal multilateral enfrenta a sua crise mais grave desde a fundação da ONU, Angola, um Estado médio africano com ambições de lide rança continental, ergueu-se para enunciar aquilo que as grandes potências preferem silenciar, que é o facto de que vivemos, nas palavras do próprio Presidente, “num ambiente de anarquia mundial, em que o uso da força impera sobre a força da razão e da lei”.
No plano da segurança, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia entrou no seu quinto ano sem perspectivas credíveis de resolução. As negociações de paz, relançadas em Setembro de 2026 sob mediação norte-americana, não produziram qualquer avanço substantivo.
O Kremlin reafirmou que continua a sua “operação militar especial” e expressou “confiança” na consecução dos seus objetivos. A dinâmica da frente de batalha permanece favorável à Rússia, com avanços significativos no Donbas, enquanto a guerra de drones intensifica-se. No Médio Oriente, a situação é ainda mais grave.
A guerra na Faixa de Gaza continua, mesmo após o cessar-fogo de Outubro de 2025. O conflito israelo-palestiniano já dura mais de dois anos e meio. O Presidente Lourenço foi inequívoco ao condenar “o genocídio contra populações indefesas” e “a expulsão dos palestinos de suas casas e terras através da expansão dos colonatos judeus na [Cisjordânia]”.
A dimensão económica da anarquia global é igualmente preocupante. O discurso do Presidente Lourenço alertou para o “estrangulamento da liberdade de circulação marítima pelos estreitos de Ormus e de Bab el-Mandeb”, com consequências devastadoras para as cadeias de abastecimento globais.
Por: EDMUNDO GUNZA












