Há dores que acontecem dentro de casa e que dificilmente chegam às páginas dos jornais. Não têm manchetes, não provocam debates nas redes sociais e, muitas vezes, permanecem escondidas atrás das portas de famílias aparente mente normais.
São dores produzidas pelas mudanças silenciosas de uma sociedade que já não educa exactamente como antes, mas que ainda não encontrou respostas para os de safios do presente. No centro dessa transformação estão as famílias e, de forma particularmente intensa, as mães.
Angola atravessa um pro cesso de transição discultu ral que merece ser observa do com atenção. Há mudan ças profundas nos hábitos, nos comportamentos, na linguagem, nas relações familiares e na forma como os jovens com preendem autoridade, liberda de e responsabilidade.
Os valores transmitidos pelas gerações anteriores enfrentam novas referências, vindas sobretudo das redes sociais, da televisão, da música, da inter net e dos grupos de convivência. Entre o que se recebeu dos pais e aquilo que os filhos rei vindicam hoje, abre-se um espaço de conflito que nem sempre é fácil preencher.
E são as mães, muitas vezes, quem permanece na primeira linha dessa batalha. São elas que acompanham mais de perto o crescimento dos filhos, enfrentam as mudanças da adolescência, procuram estabelecer limites e tentam compreender comportamentos que, por vezes, lhes parecem completamente estranhos.
Ao mesmo tempo, carregam o peso da cobrança social. Quando os filhos são considera dos bem-educados, a família é elogiada; quando alguma coisa corre mal, a mãe é frequentemente a primeira pessoa a ser responsabilizada.
Por: YARA SIMÃO





