No ondjango angolano, a disposição dos lugares nunca foi um detalhe. Sentar-se no círculo significava ouvir, falar e participar na construção da decisão. A palavra não servia apenas para afirmar uma opinião; criava responsabilidade perante a comunidade. Hoje, multiplicámos conferências, fóruns e conselhos consultivos, mas uma cadeira continua frequentemente vazia: aquela onde a juventude deveria participar da decisão e responder pelas suas consequências.
Em diferentes reuniões no continente, tenho observa do jovens brilhantes chama dos para apresentar ideias, moderar painéis ou dar energia ao evento. Depois chegam as fotografias, os aplausos e os certificados. Quando começa a discussão sobre recursos, prioridades e responsabilidades, muitos já não estão na sala.
Entregar um microfone não é o mesmo que entregar uma cadeira à mesa. Em 2026, a Carta Africana da Juventude completa vinte anos. Adoptada pela União Africana em 2006, reconhece o direito dos jovens a participa rem nos debates e processos de decisão a nível local, nacional, regional e continental.
Duas décadas depois, o problema já não é a falta de compromissos. É a distância entre aquilo que África assinou e aquilo que efectivamente pra tica. O Gabinete das Nações Unidas para a Juventude identifica o tokenism como uma das limitações da participação juvenil.
O conceito descreve situações em que os jovens estão presentes e são ouvidos, mas não possuem capacidade real para influenciar o resultado. É uma forma sofisticada de exclusão: concede visibilidade sem transferir responsabilidade.
Acontece quando um conselho juvenil não participa na elaboração do orçamento; quando os jovens são consultados depois de as decisões fundamentais já estarem tomadas; ou quando as instituições escolhem sempre os mesmos representantes, quase todos ligados às capitais e às redes estabelecidas.
África conhece a força da sua juventude. Da música ao desporto, da economia informal à criação digital, jovens angola nos encontram soluções onde os recursos são escassos. Mas não devemos transformar histórias excepcionais de sobre vivência em prova de que o sistema funciona.
Por: EDGAR LEANDRO





