A relação entre o jornalismo e o poder político sempre exigiu uma fronteira clara. Não uma fronteira de hostilidade, mas de equilíbrio, respeito institucional e, sobretudo, independência. Em qualquer sociedade democrática, o jornalista não pode ser confundi do com porta-voz do Estado, nem pode exercer a sua profissão condicionado por uma dependência material em relação aos governantes ou às instituições públicas que deve escrutinar.
Em Angola, esta discussão continua actual e necessária. Fala-se frequentemente da liberdade de imprensa, mas pouco se discute sobre as condições reais que permitem ao jornalista ser verdadeiramente livre. A independência editorial não se resume à ausência de censura.
Depende também das condições logísticas, financeiras e profissionais colocadas à disposição dos órgãos de comunicação social e dos seus trabalhadores. É precisamente aqui que surge um dos problemas mais delicados da comunicação social: muitos jornalistas exercem a profissão em situação de dependência directa das entidades que cobrem jornalisticamente.
Em várias deslocações ao interior ou ao exterior do país, profissionais da imprensa acabam por viajar em viaturas de ministérios, depender de alojamento pago por governantes, alimentar-se às custas de instituições públicas e aguardar facilidades concedidas pelos próprios agentes políticos sobre os quais irão produzir notícias, reportagens ou entrevistas.
Por: JORGE MADEIRA





