Ninguém caiu na conversa do Abe lardo quando veio insinuar que o velho Mbuta era bruxo. — Não é possível. O Kota Mbu ta, boa gente, que nos criou como se fôssemos filhos biológicos, ser chamado de bruxo por um fedelho mal resolvi do que nunca quis seguir os conselhos de estudar, trabalhar e frequentar a igreja para ser alguém de bem no futuro — apontou o Dimama, irmão mais velho do Joca Kassumuna. — Sim, o Joca tem razão.
Se não, vejamos uma coisa: como é que alguém que não tem feitiço consegue reconhecer um feiticeiro? É impossível. Esse Abelardo deve ser bruxo ou então tem inveja dos bens do mais-velho Mbuta — corroborou o Zito Penada, inquilino da Tia Lourença, viúva do Kota Kibayeta, tido como o boss da banda. Coitadinho, morreu cedo, com apenas 69 anos.
Deixou bens, casas, dinheiro e uma frota de carros. Mas tinha um problema: gostava de se apoderar dos terrenos dos outros. Muitos deles conquistados com muito sacrifício, mas ele fazia de tudo para provar que eram dele.
O amigo dele, Kimbito, que trabalhava na Repartição Fiscal das Gayolas, é que fazia os esquemas e tratava dos papéis para conseguir documentação de bens que não lhe pertenciam. — Por isso é que, quando lhe lançaram a tala, pensaram que era o velho Mbuta quem tinha feito aquilo.
As pessoas esqueceram-se de que nenhum ser humano aguenta tantas pragas e lamentações. Então que riam o quê? Que, depois de enganar tanta gente, continuasse vivo? — questionou o Joca Kas sumuna.








