Tenho escrito, com al guma regularidade, algumas reflexões sobre a China e pos so dizer com certe za absoluta que a compreensão da China contemporânea é um dos maiores desafios intelectu ais das Relações Internacionais no século XXI.
Paradoxalmente, quanto maior se torna a presença da Chi na nos mercados, detendo cerca de 17% do PIB mundial por paridade do poder de compra (PPC), nas cadeias globais de valor, nas infraestruturas internacionais, nas instituições multilaterais e nos debates sobre a governação global, mais evidente torna-se a insuficiência dos instrumentos analíticos tradicionalmente utilizados para interpretar a sua trajectória histórica.
Durante décadas, uma grande parte da produção académica ocidental, influenciada por teses como a do “Fim da História” de Francis Fukuyama, procurou explicar a ascensão chinesa recorrendo a categorias concebidas para interpretar experiências históricas europeias e norte-americanas.
A China foi sucessivamente descrita como uma economia em transição, uma potência emergente, um actor revisionista ou uma versão tardia do desenvolvimento capitalista.
Contudo, a persistência e o aprofundamento do fenómeno ´China´ demonstraram as limitações destas abordagens. Para compreender a China do presente, não basta observar os seus indicadores económicos, a sua capacidade tecnológica ou o seu crescente peso geopolítico.
É necessário compreender a instituição que, mais do que qualquer outra, moldou o per curso histórico da China desde 1921 e que continua a constituir o principal centro de formulação estratégica do Estado chi nês. Esta instituição é o Partido Comunista da China (PCCh).
Por: EDMUNDO GUNZA








