A fortaleza é uma das qualidades mais admiradas na sociedade angolana. Admiramos a mãe que nunca desiste dos filhos, o pai que luta diariamente pelo sustento da família, o trabalhador que enfrenta todas as dificuldades sem baixar os braços e o amigo que está sempre dispo nível para ajudar. Contudo, rara mente paramos para pensar no preço dessa fortaleza.
Poucos imaginam as lágrimas escondidas, as preocupações silenciosas e as batalhas travadas longe dos olhares alheios. Porque, muitas vezes, aqueles que parecem mais fortes são exactamente os que mais precisam de acolhimento. Há pessoas que parecem ter sido escolhidas para suportar o peso do mundo.
São aquelas que todos procuram quando surge um problema, uma dificuldade ou uma crise. Estão sempre disponíveis para ou vir, aconselhar e ajudar. Demonstram serenidade mesmo nos mo mentos mais difíceis. Aos olhos de quem as rodeia, são exemplos de força e equilíbrio. Mas nem sempre aquilo que mostram corres ponde ao que sentem.
Vivemos numa sociedade que valoriza a resistência e admira aqueles que nunca desistem. A força tornou-se uma virtude tão exaltada que muitos passaram a acre ditar que demonstrar fragilidade é um sinal de fraqueza. Por isso, milhares de pessoas aprenderam a esconder as suas dores.
Sorriem quando estão tristes, encorajam quando se sentem desanimadas e apoiam os outros mesmo quando precisam de apoio. Assim nasce a solidão dos fortes. Em Angola, esta realidade faz par te do quotidiano de muitas famílias.
São mães que criam os filhos praticamente sozinhas, pais que enfrentam enormes dificuldades para garantir o sustento do lar e jovens que carregam responsabilidades muito acima da sua idade. Todos os dias enfrentam desafios económicos, profissionais e emocionais. Apesar disso, continuam a caminhar com coragem. Poucos, no entanto, conhecem as batalhas que travam em silêncio.
Por: YARA SIMÃO








