Há uma imagem que muitos angolanos conhecem. Num bairro, numa escola, numa associação comunitária ou numa repartição pública, existe quase sempre uma pessoa que faz tudo acontecer. É ela que resolve problemas, mobiliza pessoas, encontra soluções e mantém a máquina a funcionar quando tudo parece difícil. Enquanto essa pessoa está presente, tudo corre bem.
O problema surge quando ela sai. Muitas vezes, o sistema sai com ela. Ao longo dos anos, vi esta realidade repetir-se inúmeras vezes em Angola. Vi projectos promissores perderem força por que dependiam excessivamente de uma única liderança. Vi organizações crescerem rapidamente e depois estagnarem porque o conhecimento não foi institucionalizado.
Vi iniciativas brilhantes desaparecerem porque não conseguiram transformar competência individual em capacidade colectiva. Durante muito tempo pensei que esta fosse apenas uma realidade angolana.
Hoje acredito que é uma das grandes questões africanas. Nas últimas semanas, ao participar em diferentes iniciativas de desenvolvimento, liderança e cooperação regional na África Austral, voltei a encontrar o mesmo padrão.
Países diferentes. Contextos diferentes. Instituições diferentes. Mas uma pergunta comum: Por que algumas transformações sobrevivem ao tempo e outras desaparecem assim que mudam os protagonistas? Talvez a resposta esteja menos nas pessoas e mais nas instituições.
Por: EDGAR LEANDRO








