Há alguns anos, num daqueles momentos de aventura, decidimos visitar o amigo Tito, que, depois de largos anos emprestado ao jornalismo, confiaram-lhe a missão de dirigir o município de Kambundi-Katembo, em Malanje.
Foi uma daquelas viagens loucas. Num território, na altura, quase sem estradas, mas desafiante por conta de algum misticismo que, desde então, chamava a atenção sempre que se mencionassem os municípios que pertencem à conhecida região Songo nas Terras da Palanca Negra. Sempre que se falava de Malanje, por incrível que pareça, uma das imagens que surgia era a das Quedas de Calandula, além, claro, do antílope que dá nome à selecção nacional de futebol.
Mas, naquela viagem, o bom do Tito deu-nos a conhecer um outro lugar espectacular, mas pouco conhecido: as Quedas dos Bem-Casados. Um lugar deslumbrante, escondido, num território antes distante por conta do afastado inexistente, mas hoje próximo de muitos por distar a poucos quilómetros da sede provincial de Malanje. Angola é, sem dúvidas, um território abençoado por Deus.
Há condições suficientes para que se desenvolva, igualmente, através do turismo, retirando assim a pressão sobre o petróleo que, nas últimas décadas, foi sempre visto como a sua muleta. Há praias, florestas, montanhas, rios, animais, tradições e outros produtos turísticos apreciados por muitos cidadãos internos e externos, que podem servir de fonte de receitas para diversas comunidades e gerar prosperidade para as suas gentes.
Quem já teve a oportunidade de circular pelo país, antes e depois da nova divisão administrativa, tem noção do potencial existente, capaz de convencer o empresariado nacional e internacional a apostar e, com isso, empregar milhares de indivíduos, ao mesmo tempo que se possa construir riqueza lícita sem quaisquer constrangimentos.
Durante a conferência realizada ontem, em Luanda, onde estiveram líderes mundiais e responsáveis de cadeias internacionais, além de operadores nacionais, o ministro Márcio Daniel realçou a necessidade de 500 milhões de euros para se melhorar as infra-estruturas turísticas. O Presidente João Lourenço, que discursou na abertura, salientou não só as riquezas turísticas existentes, como também as reformas estruturais que vão sendo realizadas.
É certo que hoje as exigências de um passado ainda recente são quase menores, mas ainda assim há necessidade de se melhorar muito mais. Em todo o caso, há um elemento fulcral que não pode ser minimizado: o fomento do turismo interno. Seria bom se muitos angolanos conhecessem melhor as praias, rios, florestas, quedas de água, como as Quedas dos Bem Casados, e outros locais turísticos do país, tal como conhecem, quase como se fosse a palma das suas mãos, destinos situados noutras latitudes.








