A vida é vivida em ciclos. Basta olharmos à nossa volta para perceber isso. O dia começa e termina, as estações mudam, as crianças crescem, os projectos nascem, desenvolvem se e chegam ao fim. Até nós próprios vamos mudando ao longo do tempo, muitas vezes de formas que nem damos conta.
De modo geral, aprendemos a conviver com isso. Sabemos que há coisas que começam e coisas que acabam. Faz parte da ordem natural da vida. A questão fica mais sensível quando o que termina não é um projecto, nem uma fase da vida, mas uma relação. E não estou apenas a falar das relações amorosas. Estou a falar daquela amizade em que apostávamos todas as fichas.
Daquela pessoa que conhecia os nossos medos, os nossos sonhos, os nossos segredos. Daquela presença que parecia tão certa que nem imaginávamos a vida sem ela.
Quem nunca teve alguém a quem chamava irmão sem partilhar o mesmo sangue?
Quem nunca disse “vamos envelhecer juntos a contar histórias” a um amigo?
Quem nunca acreditou que de terminada pessoa estaria presente em todos os capítulos da sua vida?
A verdade é que, quando esta mos dentro de uma relação significativa, raramente pensamos no fim. Fazemo-lo com os empregos, com os contratos e até com alguns bens materiais. Mas não com as pessoas de quem gostamos.
Com essas fazemos planos, criamos expectativas, imagina mos futuros. Construímos uma espécie de eternidade emocional que nos faz acreditar que aquilo ficará ali para sempre. Depois a vida acontece.
Às vezes não há uma grande discussão, não há uma traição, não há um acontecimento dramático. Há apenas distância, mudança, caminhos diferentes, novas prioridades.
Por: LÍDIO CÂNDIDO VALDY






