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35 anos depois: especialistas debatem impacto dos Acordos de Bicesse no processo de Paz em Angola

Jornal OPaís por Jornal OPaís
27 de Maio, 2026
Em Política, Última Hora

Numa altura em que Angola vive uma paz efectiva, especialistas e diplomatas recordaram os Acordos de Bicesse, assinados em 31 de Maio de 1991, debatendo o seu impacto, que marcou a história política de Angola e a abertura de caminhos para a conquista da paz e da democracia em Angola

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A Academia Diplomática Venâncio de Moura, do Ministério das Relações Exteriores, acolheu, ontem, a realização da Conferência Internacional sobre dos Acordos de Bicesse, no âmbito das celebrações dos 35 anos da sua assinatura.

O evento contou com a presença do antigo primeiro-ministro de Portugal e outros protagonistas que, na primeira pessoa e de viva-voz, partilharam as suas visões e reflexões geradas nas vivências quotidianas de um difícil e complexo processo negocial em busca de uma saída adequada e viável para a instauração da paz em Angola.

Os Acordos de Bicesse assinados em 31 de Maio de 1991, em Portugal, entre o Governo angolano, representado pelo antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e a UNITA, representada por Jonas Malheiro Savimbi, tinham como principal objectivo acabar com a Guerra Civil em Angola após a independência, tendo em vista a criação de um exército único e a realização de eleições multipartidárias.

A negociação e a assinatura dos Acordos de Bicesse decorreu sob mediação de Portugal, representado por José Manuel Durão Bar roso, na altura secretário de Estado dos Assuntos Externos e da Cooperação de Portugal, e sob a observação dos Estados Unidos e da União Soviética.

Durão Barroso foi um dos prelectores no evento e enalteceu, na ocasião, o grande prestígio internacional que Angola alcançou, mesmo depois de ter vivido um período bastante conturbado da sua história. “Uma homenagem ao povo angolano é que estamos aqui a fazer hoje.

Dizer que hoje, quando vemos uma Angola afirmada, soberana, uma Angola que hoje em dia foi aqui dita e bem, tem um prestígio internacional. Uma Angola que é um país respeitado regionalmente e internacionalmente.

Quando pensamos como Angola estava a ser destruída por uma terrível guerra civil, hoje em dia vemos um Estado soberano, consolidado, um Estado respeitado. Eu queria dizer que temos razões para felicitar, em primeiro lugar, o povo angolano, e queria terminar com os meus votos muito sinceros”, disse.

Angola extraiu importantes lições do seu processo político interno Para o ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António, a realização desta Conferência sobre os Acordos de Bicesse ganha particular relevância, tendo em consideração o contexto internacional actual, caracterizado por disputas geopolíticas internacionais, que submetem o mundo a um elevado nível de estresse, face à proliferação de conflitos.

O diplomata angolano sublinhou que a República de Angola extraiu importantes lições do seu processo político interno e hoje é um actor decisivo na resolução de conflitos em África e não só.

Téte António lembrou que, fruto das várias iniciativas de paz bem sucedidas, o Presidente da República, João Lourenço, foi designado pelos seus pares da União Africana Campeão para a Paz e Reconciliação em África. “Não foi uma escolha protocolar.

Resultou de um amplo consenso sobre o investimento diplomático que o Estado angolano dedica à causa da paz”, disse. Por seu turno, a vice-presiden te da UNITA, Arlete Chimbinda, disse que os Acordos de Bicesse representaram o ponto de partida para a reconciliação nacional e para a implantação do multipartidarismo em Angola.

Arlete Chimbinda considerou que Bicesse abriu caminho para o diálogo entre angolanos e lançou as bases do pluralismo político e da democracia no país, reconhecendo, no entanto, que o processo registou avanços e recuos, mas sublinhou que os acordos posteriores, como os de Lusaka e do Luena, surgiram como consequência directa do entendimento alcançado em Bicesse.

Chimbinda defendeu a necessidade de preservar a memória histórica do país, reforçando que as novas gerações devem conhecer as causas e consequências do conflito armado para evitar a repetição dos erros do passado.

“Angola estava a precisar de reconciliação dos irmãos desavindos, e foi Bicesse que permitiu que esses irmãos se sentassem à mesa de negociações e construíssem as bases para o pluralismo e para os primeiros passos da democra cia.

Portanto, recordar esses acor dos é de extrema importância para nós, porque temos de ter memória daquilo que fomos, daquilo que somos hoje e daquilo que nós pretendemos ser amanhã”, disse.

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