Angola é, por definição, um País jovem. De acor do com o Banco Mundial, mais de metade da população nos países da África Subsaariana tem menos de 25 anos — uma realidade que representa simultaneamente uma oportunidade estratégica e um desafio estrutural.
A questão central impõe-se: estamos a trans formar este potencial demográfico em capacidade produtiva real? Ao longo dos últimos anos, têm sido desenvolvidos programas e iniciativas relevantes orienta dos para a juventude, com foco na formação, inclusão e empreende dorismo. Estes esforços são importantes e devem ser reconheci dos.
Contudo, a evidência mostra que o desafio persiste. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, os jovens têm maior probabilidade de enfrentar desemprego e subemprego, especialmente em economias em desenvolvimento, onde a transição entre educação e mercado de trabalho permanece frágil e desestruturada. Persistem dificuldades no acesso a financiamento, limitações na criação de emprego sustentável e, sobretudo, uma insuficiente ligação entre o sistema de for mação e as necessidades reais da economia.
O problema central não está na ausência de ideias ou de programas. Está, sobretudo, na necessidade de garantir maior integração, escala e consistência na sua execução.
Angola corre o risco de estar a fazer com a sua juventude o mesmo que acontece em muitas lavras pelo País: prepara-se a terra, lançam-se as sementes, mas, sem irrigação, acompanhamento e mercado para escoar a produção, a colheita nunca atinge o seu verdadeiro potencial.
O esforço existe — mas o resultado fica aquém. A literatura económica é clara: países que conseguem transformar o chamado “dividendo demográfico” em crescimento sus tentável são aqueles que investem simultaneamente em educação relevante, criação de emprego e políticas activas de inclusão pro dutiva.
Relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvi mento reforçam que o capital humano jovem só se traduz em desenvolvimento quando existem sistemas eficazes de absorção económica.
A juventude angolana não pode continuar a ser vista apenas como destinatária de políticas públicas. Deve ser assumida como um dos principais motores do desenvolvimento económico e social do País. Angola tem todas as condições para trilhar esse caminho.
A promoção do agronegócio, da aqui cultura, da apicultura e de outras cadeias produtivas representa uma oportunidade concreta de gerar emprego, dinamizar a economia e envolver activamente a juventude no processo de desenvolvimento nacional. Mas para que isso aconteça, é necessário dar um passo adicional:
passar de iniciativas isoladas para uma abordagem integrada, orientada para resultados e com capa cidade de escala. Continuar a formar jovens sem criar condições reais para a sua integração produtiva é como preparar jogadores talentosos e nunca lhes dar espaço para entrar em campo.
O talento existe, a energia está lá — mas o jogo continua sem eles. É igualmente fundamental reforçar a ligação entre o sistema de formação e as exigências do mercado, garantindo que os jovens adquiram competências que respondam às necessidades reais da economia. Mais do que preparar o futuro, é preciso criar condições no presente.
Porque uma Nação que mantém a sua juventude em espera é como um comboio pronto para partir, mas sem direcção definida: tem força, tem estrutura, mas não avança. A juventude angolana não pode esperar. O País também não.
Por: EDGAR LEANDRO









