Do grego “demos-povo, Kratia-poder, assim, democracia é um sistema político no qual se requer a participação activa do povo, pois, no âmbito da sala de aula, ela visa um ensino que promove e defende os direitos humanos: a vida, a paz, a liberdade e a justiça.
Em regra, há preconceito linguístico quando alguém acha a sua fala melhor que a dos outros, repudiando torto à direita o linguajar diferente do seu, agredindo verbalmente o falar de outra pessoa.
No contexto de ensino, o preconceito linguístico ocorre entre professores e alunos, ou, somente, entre alunos. Situação que eleva o ego, a com petição cega, a vaidade do falar gramático-pedantismo. Porém, afastam-se do verdadeiro ensino-aprendizagem da língua e do precioso convívio entre falantes no espaço de ensino.
Em vista disso, vale lembrar que a palavra preconceito provém do francês “parti pris”, que significa opinião antecipadamente for mada. Sendo a linguística a ciência que tem por objeto de estudo a linguagem humana, desde o plano da língua até ao do discurso. Formando, destarte, o Sin
tagma Nominal (SN) Preconcei to Linguístico, que é nada mais, nada menos, julgar precipitada mente, senão mesmo, erronea mente, o modo de falar do aluno, como feio, errado, grosseiro, ou sei lá que mais! Desconversando ide ológica e praticamente com Dante citado por Marcos Bagno, quando adverte para o facto do julgamento antecipado, quem tu pensas que és tão presunçoso, para julgar de coi sas tão elavadas, com a curta visão de que te dispões.
Assim, deixando clarividente que a língua é uma viagem ou um sistema interminável, cuja função não se limita às regras gramaticais escritas, ou seja, a língua não está subordinada à gramática, mas sim a gramática subordinada à língua.
Para ser mais preciso, antes de existirem as primeiras Gramáticas Gregas, no século II a.C., que tinham como função monitorar a literatura medieval, o ser humano já falava, fruto dos seus uni versais linguísticos defendido por Noah Chomsky.
Esta capacidade nata permite à criança, desde os primeiros anos de vida, balbuciar, criar palavras e frases simples, no começo, e mais tarde, frases complexas, através da convivência com os membros da sua família e da comunidade. Deste modo, fica patente que a gramática é uma coisa, a língua é outra, e maior que a gramática.
Neste ínterim, um professor linguisticamente preconceituoso, é aquele que corrige a escrita e, principalmente, a fala do aluno de mo do agressivo, sem delicadeza nem método adequado, baseando-se no achismo, dizendo não se diz *caro, diz-se carro, não é *quarquer, é qualquer, só para citar alguns supostos erros.
Pois sim, supostos erros, porque do ponto de vista sociolinguístico, não existem erros, nestes casos, entretanto, trata-se, apenas, de um falar diferente; porquanto, o professor apresenta uma língua padrão, talvez, porque desde cedo, teve privilégio escolar, livros didácticos e gramáticas à disposição. Diferente do aluno que não teve os mesmos privilégios, por isso não fala tão bem a língua-padrão ou língua do Patrão como diz Marcos Bagno.
Ademais, o professor preconceituoso linguisticamente, apossa-se da gramática para encobrir a sua incompetência, inibindo o aluno com arrogância desmedi da, transparecendo que o que ele ensina é apocalíptico, mistério do professor-gramática. Fazendo jus ao pensamento crítico de Isaac Asimov, “a violência é o último re fúgio do incompetente”.
Enquanto que, sociolinguisticamente, tudo quanto o professor cabalista chama de erro, tem uma explicação sistemática, metódica e sobrema neira científica. Nisto, é necessá rio que o professor de línguas saiba que a língua falada precede à lín gua escrita, pois esta última é uma tentativa de representação daque la, e que nenhuma anula a outra.
Percebe-se, logo, que a língua falada é a língua natural, simples tal como o falante concebeu-a no seio familiar. Já a língua escrita, é convencional, artificial; regida porre gras e políticas de interesse do Estado.
É deveras fundamental que o professor de línguas tenha do mínio das variedades linguísticas, que são fenómenos inerentes à situação comunicativa, em função do lugar, da idade, sexo, nível social, nível económico, entre outros.
Por: ELISEU CHIYAKISA JORGE
*Escritor, Professor, Licencia do em Ensino de Língua Portuguesa pelo ISCED-Huambo.








