o parqueamento da discoteca, por volta das 2 horas da madrugada, Zé Filipe encostou-se à parede ao lado para fumar um cigarro. Porém, o isqueiro que estava no bolso direito da calça jeans, que vestira naquele dia, não estava a funcionar.
Ele ainda tentou insistir, mas, sem sucesso, não funcionou.– Vidas de Ninguém (XV) N DR Quando já ia desistindo, Mirelle, jovem esbelta, morena, de olhos castanhos, vestida de roupas miúdas, passou por si, cumprimentou, encostou-se no canto do parqueamento e sacou da sua carteira um maço de cigarros e uma caixinha de fósforos.
De seguida, acendeu um cigarro, deu duas puxadas e atirou o fumo ao ar, enquanto olhava fixamente para o telefone digital que carregava na palma da mão direita. Ao ver que a moça tinha o lume de que muito precisava, já que o seu isqueiro não estava a funcionar, Zé Filipe encostou-se a Mirelle e, de forma educada, pediu uma ajudinha para acender o seu cigarro.
“Desculpa, pode, por gentileza, ajudar-me com o seu fósforo, a ver se consigo acender o meu cigarro?”, questionou o homem, visivelmente aflito. “Imagine! Sim, claro, com muito prazer”, respondeu Mirelle, com a voz simpática, que, de seguida, deu a caixinha de fósforos ao Zé Filipe, que, sem perder mais tempo, elevou o cigarro para a boca, pronto para acender. A primeira tentativa de acender o cigarro não deu certo. O palito apagou-se e não fez contacto. Apenas no segundo contacto é que o cigarro acendeu, tendo feito uma mini fumaça.
Depois de usar o fósforo, Zé Fi lipe devolveu a caixinha a Mirelle, tendo, de seguida, agra decido pelo gesto que considerou, num tom de brincadeira, ter salvo a sua vida. “Estava aflito, não sabe o quanto ajudou-me e salvou a minha vida, querida!”, sorriu Zé Filipe, que, de seguida, retornou ao seu canto, apreciando o seu cigarro Lucky Strike. O silêncio continuou no par queamento onde estavam es tacionadas várias marcas de carros.
No meio daquele silêncio que embalava a madrugada, pelos fundos era possível ou vir Led Zeppelin, The Beatles, Queen, Pink Floyd e AC/DC. Cada um no seu canto, os dois abanavam a cabeça a acompanhar a música que se ouvia baixinho. A uma distância de mais ou menos dois metros, ninguém passava palavra ao outro, até que Zé Filipe decidiu voltar a aproximar-se, puxar conversa e quebrar o silêncio.








