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A Força do Trabalho da Mulher Angolana

Jornal OPaís por Jornal OPaís
2 de Março, 2026
Em Opinião

O mês de Março, em Angola, não é ape‑ nas um capítulo no calendário. É um tempo de memó‑ ria, reconhecimento e reflexão sobre o papel transformador da mulher na história e na vida con‑ temporânea da nação. Desde o 02 de Março, Dia da Mulher Ango‑ lana, até ao 08 de Março, Dia In‑ ternacional da Mulher, instituí‑ do pela Organização das Nações Unidas, celebramos e fazemos um balanço crítico das lutas, conquistas e desafios que mol‑ dam a experiência feminina no país.

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Escrevo estas linhas enquan‑ to mulher, mãe e ocupante de uma posição de responsabilida‑ de, consciente das exigências de uma dupla jornada e da necessi‑ dade de inspirar outras mulhe‑ res a acreditarem que determi‑ nação e vontade não são apenas atributos, mas forças concretas que transformam vidas e socie‑ dades.

A contribuição feminina para a história de Angola é profun‑ da e multifacetada. Antes mes‑ mo da independência, mulheres desempenharam papéis funda‑ mentais na luta anticolonial. No‑ meadamente, Engrácia Cabe‑ nha, conhecida como a “Rainha do 4 de Fevereiro”, integrou um dos primeiros grupos que deram início ao movimento de liberta‑ ção nacional, ainda na adoles‑ cência, um símbolo da coragem e da dedicação que caracteriza‑ riam gerações de mulheres an‑ golanas.

No pós‑independência, figuras como Luzia Inglês Van‑Dúnem foram essenciais para garantir espaços de participação política através da promoção de leis que aumentaram a presença femini‑ na nos órgãos eleitorais e criaram bases para a igualdade de género nos processos de decisão.

Não menos inspiradora é Lucré‑ cia Paim, cujo legado humanis‑ ta e feminista permanece vivo, sendo hoje lembrado, entre ou‑ tras formas, pelo nome que dá à maior maternidade especializada em obstetrícia em Angola.

Dados recentes, oriundos de ba‑ ses de dados nacionais e interna‑ cionais, revelam avanços signi‑ ficativos da mulher na política, mas também desafios persistentes. A presença de mulheres na vi‑ da política angolana tem aumen‑ tado, cerca de 38 % dos assentos na Assembleia Nacional são ocu‑ pados por mulheres, e represen‑ tações importantes no Poder Exe‑ cutivo, magistratura e diplomacia têm acompanhado esta tendência.

A participação feminina no mer‑ cado de trabalho e em sectores profissionais essenciais mostra outro lado da transformação so‑ cial. Por exemplo, no sector fi‑ nanceiro angolano, as mulheres representam cerca de 48 % dos colaboradores, um sinal claro de sua presença significativa no nú‑ cleo de uma das áreas económicas mais estratégicas.

Ainda assim, há sectores em que a visão de liderança feminina continua sub‑representada, como ilus‑ trado no sector petrolífero, on‑ de apenas cerca de 9% das posi‑ ções de liderança são ocupadas por mulheres, apesar de estes profis‑ sionais constituírem aproxima‑ damente 15 % da força de traba‑ lho do sector. Apesar do progresso, ainda per‑ sistem diferenças estruturais que exigem atenção.

Indicadores na‑ cionais demonstram desigualda‑ des claras na participação econó‑ mica (por exemplo, na posse de contas bancárias ou no acesso à educação técnica) e uma taxa de participação na força laboral que, embora elevada, ainda mostra la‑ cunas relativamente aos homens. Há relatos de instituições que con‑ tratam géneros diferentes para uma mesma função, no entan‑ to, o salário da mulher é desca‑ radamente inferior.

Organização nacionais e inter‑ nacionais continuam a envidar esforços para fortalecer capaci‑ dades e abrir espaços de lide‑ rança feminina, em particular na governação local e na esfe‑ ra política, reconhecendo que uma participação plena e equi‑ tativa é um pilar para socieda‑ des mais justas e sustentáveis.

Ao longo das décadas, a mulher angolana provou ser incansável. Ela consegue equilibrar múlti‑ plas responsabilidades, desde a gestão familiar até a participa‑ ção em altos cargos profissio‑ nais e políticos e, apesar de obs‑ táculos culturais e estruturais, continua a reivindicar espaços e a influenciar decisões que mol‑ dam a vida colectiva. Celebrar a mulher em Março é mais do que reconhecer con‑ quistas.

É reafirmar o compro‑ misso com a igualdade de opor‑ tunidades, com a eliminação de práticas discriminatórias e com a promoção de ambientes que permitam a todas as mulhe‑ res expressarem o seu potencial máximo. Às jovens, mães, trabalha‑ doras, líderes comunitárias e profissionais de todas as áre‑ as, a mensagem é clara e pro‑ funda: a sua voz, coragem e contribuição não apenas con‑ tam, mas transformam reali‑ dades.

Caminhamos juntos, como nação, rumo a um tem‑ po em que a igualdade de gé‑ nero não seja apenas um ideal repetido, mas uma prática vi‑ vida em cada escola, empre‑ sa, instituição pública e espa‑ ço de decisão. “A mulher angolana não espe‑ ra oportunidades, ela as cria, transforma desafios em con‑ quistas e lidera o caminho pa‑ ra o futuro do país.”

Por: YONA SOARES

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