O músico Manucho Burity anunciou, no Domingo, 22, em Luanda, que prevê lançar ainda este ano um disco em homenagem ao seu pai, o consagrado artista Carlos Burity.
Em declarações à ANGOP, após interpretar um dos temas mais emblemáticos do cantor durante o evento “Caldo do Poeira”, organizado em memória do progenitor, Manucho revelou que o projecto reúne composições que o próprio Carlos Burity desejava ver editadas.
Sem adiantar pormenores, explicou que o trabalho está praticamente concluído, com cerca de 90% das faixas já gravadas. Segundo o artista, falta assegurar apoio financeiro para finalizar as músicas restantes, tratar da pós-produção e viabilizar o lançamento.
O jovem artista referiu ainda ter descoberto a vocação musical mais tarde do que esperava. Além deste tributo, pretende manter viva a herança artística do pai, regravando alguns dos seus sucessos e apresentando cinco canções inéditas. O acto de homenagem não só proporcionou a reinterpretação de clássicos com novas roupagens, mas serviu também como um espaço de reflexão sobre o contributo de Carlos Burity para a afirmação da angolanidade e da identidade rítmica do país.
O espectáculo iniciou com Mister Kim, acompanhado pela Banda Movimento, que interpretou vários clássicos e uma rapsódia em homenagem ao artista celebrado. Seguiram-se actuações de Lolito da Paixão, Camacho, Lulas da Paixão e Karina Santos, que deram voz a diversos sucessos do repertório angolano. Um dos momentos mais emocionantes foi a participação de Manucho Burity, filho do homenageado, com um medley romântico.
O encerramento coube a Man Prolé, Proletário, que, visivelmente emocionado, recebeu forte apoio do público e descreveu a sua actuação como uma terapia.
Breve perfil do músico
Carlos Burity, falecido em Agosto de 2020, iniciou a sua trajectória musical em 1968. Em 1974 gravou êxitos como “Ixi Iami” e “Recado”, que se tornaram marcos da música popular angolana. Natural de Luanda, onde nasceu em 1952, integrou ainda em 1968 o grupo pop-rock “Cinco Mais Um”, ao lado de Catarino Bárber e José Agostinho, este último também conhecido pelo Duo Missosso, com Filipe Mukenga.
Em 1974, lançou, com o Grupo Semba, colectivo de destacados músicos angolanos, o seu primeiro single, incluindo “Ixi Iami” e “Recado”. No ano seguinte, surgiram “Inveja” e “Memória de Nelito”. Já em 1976 editou “Especulador”, obra de cariz satírico que marcou a sua afirmação na música de intervenção, bem como “Desaparecimento de Moreno”, em colaboração com os Kiezos.
Em 1983 integrou o projecto “Canto Livre de Angola”, idealizado pelo cantor brasileiro Martinho da Vila e pelo empresário Fernando Faro, que levou artistas angolanos ao Brasil.
Ao longo da carreira, lançou álbuns como “Carolina” (1991), que inclui temas como “Uabite Boba”, “Maria Alukaze”, “Narciso”, “Monami” e “Adeus”; “Angolaritmo” (1994), editado em CD com o título “Ilha de Luanda” pela VIDISCO; além de outros trabalhos marcantes, como “Wanga”, “Ginginda”, “Massemba”, “Zuela o Kidi”, “Paxi Iami” e “Malalanza”.









