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Auzílio Jacob:‘Nós definimos o PIAC como o nosso Programa Nacional de Desenvolvimento num contexto mais pequenino’

Dani Costa por Dani Costa
9 de Janeiro, 2026
Em Entrevista
Jacinto Figueiredo

Jacinto Figueiredo

Há um ano que Auzílio Jacob, então administrador de Cacuaco, recebeu a missão de dirigir a nova província de Icolo e Bengo, uma das novas criadas no âmbito da Nova Divisão Político-Administrativa. Com fronteiras com o Bengo, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul e Luanda, a capital do país, o governador garante que, neste período de tempo, foram feitos inúmeros investimentos que demonstram o avanço socioeconómico, através do Programa Integrado de Assistência Comunitária (PIAC), que fazem da criação desta circunscrição pelo Titular do Poder Executivo uma aposta ganha

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Parabéns pela nomeação ao cargo de Governador da província de Icolo e Bengo, por sinal uma das mais novas províncias no âmbito da nova Divisão Política-Administrativa. Como é que encarou este desafio?

Bom, nós, antes de mais, queríamos dizer que foi uma decisão tomada em sede do Conselho de Ministros, sob uma iniciativa do Titular do Poder Executivo. Na altura em que isso foi decidido, nós estávamos a dirigir o município de Cacuaco. E quando fomos convidados a assumir a província nova, que resultava da fragmentação da província de Luanda, é preciso dizer que Icolo e Bengo tem sete municípios. Resulta da fragmentação de Luanda, essencialmente, a divisão do município de Viana, que deu hoje o território de Calumbo, a divisão do município de Cacuaco, que deu o município do Sequele, a fragmentação da Quiçama, que se dividiu em dois com Cabo Ledo, e depois a sede que deu nome à província que hoje é o município, capital da província, que é Catete, que fragmentou-se em três, tendo criado Catete, Bom Jesus e Cabiri. É uma superfície territorial de 326 mil quilómetros quadrados. De acordo com o novo censo, estima-se existirem aqui mais de um milhão e quatrocentos mil habitantes, o que significa que estamos num território densamente povoado, mas também com espaços territoriais livres que concorrem para o desenvolvimento da actividade económica diversificada.

Um vasto território?

Como sabe, o Icolo e Bengo é uma província que faz fronteira com Luanda, com o Bengo, com o Cuanza-Norte e com o Cuanza- Sul. Está numa localização geo- gráfica em que circulam sobre o seu território três grandes rios, o Rio Longa, o Rio Kwanza e o Rio Zenza, e por essa razão há uma grande actividade agrícola, pecuária e pesqueira, porque também temos uma parte do nos- so território que é a costa, que é o município do Cabo Ledo. Desde logo, estamos a falar de uma província, apesar de estar localizada próximo de Luanda, mas que tem diversidades que lhe permitem rapidamente se desenvolver. Depois de termos feito esse diagnóstico que nos permitiu ter conhecimento desses limites, do seu potencial, para além das ro- chas preciosas e terras aráveis e terras para construção civil, como os solos vermelhos, os soles britados, sentimos que havia aqui um potencial em termos geográficos que nos permitia gizar um programa que permitisse melhorar a vida dos cidadãos, porque depois também identificamos quais eram as disponibilidades em termos de recursos que podiam concorrer para o seu desenvolvimento.

Quais recursos?

Recursos de electricidade, por exemplo. A província de Icolo e Bengo acaba por ser uma das províncias privilegiadas porque recebe a energia vinda das barragens que estão a norte da Angola. Todas elas caem aqui, as linhas de alta tensão, barragem de Laúca, barragem de Cambambe, barragem de Capanda e o Ciclo Combinado do Soyo. E depois temos aqui também o sistema de abastecimento de água que agora está sendo reforçado pelo projeto de Quilonga, mas que o sistema do Candelabro de Cacuaco já afectava esse município. Desde logo, chegamos à conclusão que o que nós tínhamos que fazer era primeiro abrir o diálogo com os cidadãos e promovemos um debate com todos os cidadãos por município através da realização dos conselhos de auscultação das comunidades e fizemos também os conselhos de auscultação e de concertação do Governo da província, onde mais do que aquilo que dizem as normas do Estatuto Orgânico do Governo, ouvir os cidadãos para percebermos quais eram as suas principais inquietações. Desde logo, esses conselhos foram constituídos olhando para a sociedade civil integrada, onde nós fizemos constituir os conselhos na base de tudo o que era a força viva desse território. Juntamos as igrejas todas, aquelas que estão legalizadas, as entidades tradicionais, as organizações da sociedade civil, os activistas, as comissões de moradores e os representantes das comissões sindicais, dos partidos políticos e procuramos ter um debate aberto para que eles nos dissessem o que era o seu território, que não era a província, passou a ser província à medida que nós assumimos esse legado. Mas antes era um território que já tinha gente, uns já pertenciam à província de Luanda, outros já pertenciam ao município de Catete, outros ao município de Viana, e então uma diversidade cultural que se encaixou no território, ainda era preciso perceber as motivações e o estado psico- emocional das pessoas. E foram estes cidadãos quem foram desses conselhos que nos ajudaram a compreender o que é que nós devíamos fazer.

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