A Rede de Lares Dom Bosco revelou que conseguiu retirar 251 crianças da situação de rua nos últimos três anos, resultado que atribui, em parte, ao trabalho desenvolvido em parceria com os órgãos de comunicação social
A informação foi avançada pelo director-geral da instituição, o padre Augusto Francisco, durante um encontro com jornalistas. A iniciativa serviu para fazer um balanço da estratégia de comunicação adoptada pela instituição desde 2021, período em que a congregação salesiana decidiu reforçar a divulgação das suas actividades e sensibilizar a sociedade para a problemática das crianças em situação de vulnerabilidade.
Segundo o responsável, a decisão surgiu após um estudo de viabilidade realizado nos jardins-de-infância, centros profissionais, escolas e lares da rede salesiana, que identificou a comunicação social como uma ferramenta essencial para ampliar o impacto do trabalho desenvolvi do junto das crianças e famílias em situação de risco. “Começámos com um número reduzido de órgãos de comunicação social.
Na altura, tínhamos sobretudo a Rádio Ecclésia como principal parceira para divulgar o trabalho realizado. Passados três anos, entendemos que era justo fazer um primeiro balanço desta colaboração”, afirmou padre Augusto Francisco.
Inspirados na visão de Dom Bosco, que considerava a comunicação social uma importante ferramenta de transformação social, os responsáveis da instituição decidiram aproximar-se dos meios de comunicação para dar maior visibilidade à realidade das crianças em situação de rua.
Ao longo dos últimos três anos, 251 crianças conseguiram aban donar as ruas e reconstruir os seus projectos de vida. Deste uni verso, 163 foram reinseridas com sucesso no seio familiar, enquan to outras alcançaram autonomia suficiente para seguirem os seus percursos de forma independen te, deixando de depender direc tamente dos programas da Rede Dom Bosco.
“Graças ao vosso trabalho, conseguimos chegar a estes números. São 251 crianças que saíram da rua e encontraram uma nova oportunidade para viver, estudar e projectar o futuro”, destacou o sacerdote, dirigindo se aos profissionais da comunicação social presentes no encontro.
Apesar dos resultados alcançados, a instituição alerta que o fenómeno das crianças em situ ação de rua continua longe de estar resolvido.
Neste momento acolhe 107 crianças
Actualmente, os quatro centros de acolhimento da Rede Dom Bosco encontram-se pratica mente lotados. No total, acolhem 107 crianças e adolescentes, distribuídos entre as diferentes casas da instituição. A Casa Magone alberga 38 crianças, a Casa Margarida acolhe 35, a Casa Anuarite acompanha 16 meninas e a Casa Muxima, localizada na província de Icolo e Bengo, acolhe 18 adolescentes e jovens.
Além dos residentes permanentes, a rede acompanha ainda jovens em processo de autonomia. Trata-se de adolescentes que vão deixando gradualmente a dependência institucional, mas continuam a receber apoio e acompanhamento até conseguirem uma integração plena na sociedade.
Neste momento, são 39 os jovens enquadrados neste programa de transição para a vida autónoma. Paralelamente, a instituição mantém acompanhamento directo a 105 famílias consideradas vulneráveis, numa estratégia que procura actuar nas causas do problema e não apenas nas suas consequências.
Para o padre Augusto Francis co, o aumento contínuo do número de crianças nas ruas de monstra que a resposta não pode limitar-se ao acolhimento institucional. Segundo explicou, a situação das crianças de rua é ape nas um reflexo de problemas mais profundos, como a desestruturação familiar, a pobreza extrema e a exclusão social.
“O fenómeno das crianças de rua é apenas a parte visível do problema. A verdadeira questão está nas famílias que enfrentam dificuldades profundas. Se que remos uma resposta mais eficaz, precisamos de um trabalho conjunto entre as famílias, a sociedade e o Estado”, defendeu.
Apesar do aparecimento de no vos parceiros, os desafios financeiros continuam a preocupar a direcção da instituição. O padre Augusto Francisco revelou que a sustentabilidade dos projectos permanece uma das maiores in quietações da Rede Dom Bosco, sobretudo numa altura em que alguns financiamentos internacionais se aproximam do fim.
Entre as preocupações está a garantia dos salários dos educadores e técnicos que trabalham diariamente com as crianças acolhidas.









