O Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, localizado no Kilamba, em Luanda, realizou 1.235 atendimentos durante os primeiros 30 dias de funcionamento, um mês depois de ter sido inaugurado pelo Presidente da República, João Lourenço.
A unidade, inaugurada a 1 de Agosto de 2026, numa cerimónia que contou com a presença da Presidente da República Unida da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, entrou em funcionamento com a sua infra-estrutura principal concluída e equipada para prestar assistência especializada a doentes queimados e outros casos de elevada complexidade.
Dos 1.235 atendimentos registados, 729 foram realizados em regime ambulatório e 506 no Serviço de Urgência. No mesmo período, o hospital registou 130 internamentos, dos quais 96 na Enfermaria de Queimados, 11 na Enfermaria Cirúrgica e 20 na Unidade de Terapia Intensiva de Queimados.
A unidade registou ainda 94 altas por melhoria clínica e quatro óbitos durante o primeiro mês de funcionamento.
No Bloco Operatório foram realizadas 11 intervenções cirúrgicas, incluindo enxertias cutâneas, desbridamentos, cirurgias reconstrutivas e amputações associadas a queimaduras graves.
Entre os casos de maior complexidade está o de um jovem de 20 anos, com queimaduras de segundo e terceiro graus em aproximadamente 35% da superfície corporal. O paciente necessitou de amputação do terço medial distal do membro superior esquerdo e de amputação transtibial do membro inferior direito.
O jovem continua a receber acompanhamento multidisciplinar, com intervenção das áreas de Psicologia, Nutrição, Cirurgia Vascular, Medicina Hiperbárica, Fisioterapia, Cirurgia Plástica e da equipa de feridas complexas.
A Câmara Hiperbárica é outra das valências diferenciadoras já em funcionamento. Uma doente de 28 anos, proveniente da Maternidade Lucrécia Paim, realizou cinco sessões de oxigenoterapia hiperbárica antes de ser submetida a uma reconstrução da parede abdominal.
Outro paciente, de 26 anos, com queimaduras profundas e de terceiro grau, realizou seis sessões de oxigenoterapia hiperbárica antes de receber um enxerto cutâneo no membro superior direito.
A assistência prestada pelo hospital inclui ainda Psicologia, Fisioterapia, Reabilitação e Brinquedoteca, numa abordagem multidisciplinar destinada a acompanhar os doentes para além do tratamento das lesões.
Durante este período, a unidade promoveu igualmente acções de capacitação dos profissionais em áreas como abordagem do doente queimado, reposição volémica, tratamento de feridas, abordagem do politraumatizado e interpretação de exames.
A Direcção do hospital é liderada pela médica especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e de Queimados, Yanessa Katiana Van-Dúnem Filipe de Almeida. A equipa de gestão reúne profissionais de diferentes áreas e tem como missão consolidar a unidade como referência assistencial, de formação e de produção de conhecimento na área dos queimados.
Durante a preparação da unidade para a entrada em funcionamento, a ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, destacou a importância dos profissionais e do conhecimento para o sucesso da nova estrutura.
O Hospital Presidente Julius Nyerere possui cerca de 47.947 metros quadrados de área de construção, distribuídos por seis pisos, com capacidade para 248 camas. A unidade dispõe, entre outras valências, de Serviço de Urgência, Bloco Operatório com seis salas, Unidade de Terapia Intensiva, UTI de Queimados com 36 camas, Câmara Hiperbárica, Imagiologia, Laboratório, Endoscopia, Fisioterapia e Reabilitação, Psicologia, Unidade Neonatal e Brinquedoteca.
Nos primeiros dias de funcionamento, o hospital recebeu vítimas de queimaduras provocadas por combustível e acidentes na via pública, além de pacientes evacuados do Cuanza-Sul na sequência da tragédia registada naquela província.
No mesmo perímetro está em construção um Centro de Hemodiálise, que, quando concluído e entrar em funcionamento, deverá constituir o maior do país.
A futura unidade terá capacidade projectada para atender 510 doentes em três turnos e até 680 em quatro turnos, abrangendo adultos e crianças, doentes crónicos e agudos, com hemodiálise convencional e diálise peritoneal.
Para os casos agudos, particularmente os pacientes internados em cuidados intensivos, o centro contará com tecnologia diferenciada, incluindo o monitor OMNI, destinado a diferentes técnicas de terapia de substituição renal contínua, como hemodiafiltração, plasmaferese, hemodiálise, SLED e hemofiltração.
A proximidade do futuro Centro de Hemodiálise deverá reforçar a resposta aos doentes com queimaduras extensas e quadros clínicos graves que possam desenvolver complicações que afectem a função renal e necessitem de terapias de substituição renal.
Está também prevista a formação de cerca de 150 profissionais do Ministério da Saúde, entre médicos, enfermeiros especializados em nefrologia, técnicos de enfermagem e pessoal de apoio, para assegurar o funcionamento da futura unidade.
Um mês depois da inauguração, o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere contabiliza 1.235 atendimentos, 130 internamentos, 11 cirurgias e 94 altas por melhoria clínica. A unidade mantém em funcionamento valências como a Câmara Hiperbárica, Fisioterapia, Psicologia e Reabilitação, enquanto o Centro de Hemodiálise permanece em construção.












