O Centro Ortopédico e de Reabilitação Polivalente Dr. António Agostinho Neto (CORPAAN) passa a contar com profissionais capacitados e tecnologia de impressão 3D para apoiar a produção e adaptação de próteses e órteses em Angola.
A iniciativa enquadra-se no Programa de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), através do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da Unidade de Implementação do Projecto (UIP), em parceria com especialistas da Fiocruz, e permitiu formar 60 profissionais de diferentes áreas ligadas à saúde e à tecnologia.
Entre os profissionais capacitados estão especialistas de ortoprotesia, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem, medicina, engenharia e tecnologia.
A formação pretende dotar as equipas nacionais de conhecimentos para a utilização da impressão 3D no processo de produção de dispositivos assistivos.
Os resultados da formação foram acompanhados na quinta-feira, 10 de Setembro, durante um encontro entre o Gestor Técnico da UIP-PFRHS, Prof. Dr. Job Monteiro, e o Director-Geral do CORPAAN, Dr. Bértil Miranda Afonso Cassoma.
A impressão 3D permite transformar a avaliação clínica do paciente num processo digital, que inclui a digitalização, modelação tridimensional, desenho, impressão, montagem, adaptação e acompanhamento da reabilitação.
A tecnologia possibilita a criação de próteses e órteses ajustadas às características individuais de cada paciente e poderá beneficiar pessoas amputadas, crianças com alterações congénitas dos membros, pacientes com deformidades ortopédicas, vítimas de acidentes, pessoas com sequelas neurológicas e cidadãos que necessitem de dispositivos de apoio à mobilidade.
No âmbito da formação, o CORPAAN recebeu uma impressora 3D CREALITY K1 Max, equipamento que permitirá dar continuidade à aplicação prática dos conhecimentos adquiridos e avançar progressivamente para a produção local.
A transferência de competências será feita de forma gradual. Inicialmente, especialistas brasileiros vão apoiar o desenho e a supervisão técnica, enquanto as equipas angolanas participam nas etapas de avaliação, digitalização, impressão e montagem.
O objectivo é que, de forma progressiva, as equipas nacionais alcancem autonomia em todo o processo de produção e adaptação dos dispositivos.
Para o Gestor Técnico da UIP-PFRHS, Prof. Dr. Job Monteiro, a iniciativa demonstra que o investimento na formação deve resultar também na criação de capacidade dentro das instituições de saúde.
“Estamos a transformar a formação em capacidade instalada. O conhecimento adquirido deve permanecer no País, ser aplicado nos serviços e multiplicado pelos profissionais angolanos”, afirmou.
O responsável considerou ainda que a parceria com a Fiocruz representa uma oportunidade de intercâmbio científico e tecnológico, contribuindo para o avanço de soluções modernas de reabilitação em Angola.
Por sua vez, o Director-Geral do CORPAAN, Dr. Bértil Miranda Afonso Cassoma, destacou a importância de transformar os conhecimentos adquiridos em benefícios concretos para os pacientes e considerou a impressão 3D uma oportunidade para elevar a qualidade e a capacidade de resposta da instituição.
A iniciativa está alinhada com a estratégia do Ministério da Saúde de fortalecer os recursos humanos, promover a inovação e aproximar a tecnologia das necessidades da população.
No âmbito do PFRHS, está prevista a formação de 38 mil profissionais até 2028, abrangendo diferentes categorias da saúde.












