O Ministério da Saúde reafirmou o compromisso com a formação contínua, especialização e valorização dos profissionais de enfermagem, considerando estes factores essenciais para melhorar a qualidade, a segurança e a humanização dos cuidados prestados à população.
A posição foi manifestada pelo Secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, que, em representação da ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, presidiu à abertura das III Jornadas Científicas de Enfermagem, realizadas na ENAPP, sob o lema “Cuidar com Ciência e Decidir com Responsabilidade”.
O encontro, que decorre durante dois dias, reúne profissionais de enfermagem, gestores, especialistas, representantes das Ordens Profissionais e parceiros nacionais e internacionais, num espaço dedicado à partilha de conhecimentos, produção científica e discussão dos principais desafios da profissão e do Sistema Nacional de Saúde.
Na sua intervenção, Carlos Alberto Pinto de Sousa destacou o papel da enfermagem no funcionamento dos serviços de saúde, considerando-a um “pilar insubstituível do Serviço Nacional de Saúde”, pela presença permanente junto dos doentes e das famílias e pela intervenção na prevenção, assistência e promoção da saúde.
O responsável defendeu ainda a necessidade de formar profissionais cada vez mais preparados para liderar equipas, gerir recursos e processos e desenvolver investigação direccionada à resolução dos problemas dos serviços de saúde.
“Não podemos falar de qualidade dos serviços de saúde sem a qualidade da enfermagem; segurança do doente sem falar da competência dos enfermeiros; e transformação do sistema de saúde sem reconhecer o papel estratégico da liderança de enfermagem”, afirmou.
As jornadas estão estruturadas em quatro eixos principais, nomeadamente Segurança Sanitária; Desafios das Doenças Infecciosas Endémicas e Pandémicas; Papel da Enfermagem na Literacia e na Disponibilidade de Serviços; e Papel da Cooperação no Âmbito da Rede.
No domínio da segurança sanitária, foi realçada a intervenção dos enfermeiros na vigilância epidemiológica, sobretudo na identificação e notificação de casos suspeitos, biossegurança, administração segura de medicamentos, acompanhamento dos doentes e famílias e prevenção da resistência antimicrobiana.
Neste contexto, o Ministério da Saúde defende o reforço da formação contínua dos profissionais, com conteúdos relacionados com o controlo de infecções, gestão de antimicrobianos e resposta a surtos.
A realização das jornadas durante o Setembro Amarelo permitiu igualmente abordar o papel da enfermagem na área da saúde mental, particularmente na identificação de sinais de alerta, acompanhamento dos utentes e encaminhamento adequado dos casos.
Durante a cerimónia, foram também destacados investimentos do Executivo na formação e especialização de profissionais, expansão do acesso aos cuidados, inovação tecnológica e construção, ampliação e reabilitação de unidades sanitárias.
Na área dos recursos humanos, foi destacada a admissão de mais de 46 mil profissionais de saúde, através dos maiores concursos públicos realizados no sector, bem como a especialização de mais de 38 mil profissionais até 2028.
No domínio da inovação, foi referido o avanço da cirurgia robótica no Complexo Hospitalar de Doenças Cardio-Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, onde já foram realizadas 136 cirurgias robóticas, incluindo procedimentos de urologia, cirurgia geral e ginecobstetrícia e, mais recentemente, uma cirurgia renal minimamente invasiva.
Foram igualmente destacados avanços no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, com a introdução da neurointervenção, embolização de retinoblastoma e Via Verde do AVC.
A cerimónia serviu ainda para destacar a entrada em funcionamento do Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, com capacidade de 252 camas.
Na área da hemodiálise, a cobertura nacional passou a abranger 14 províncias, através de 35 centros especializados, com 445 monitores e capacidade superior a 27 mil sessões semanais.
Por sua vez, o Director-Geral do CETEP, António Jorge Capita, defendeu o reforço da articulação entre os diferentes níveis de atenção e unidades sanitárias, com destaque para os mecanismos de referência e contra-referência, visando garantir a continuidade dos cuidados.
“O CETEP não pode ser uma ilha de excelência, tem de ser o centro de uma rede, e o enfermeiro é o elo dessa rede”, afirmou.
As III Jornadas Científicas de Enfermagem contam também com a participação de parceiros internacionais, com destaque para a delegação brasileira, no quadro da cooperação no âmbito da CPLP, SADC e União Africana, através da transferência de conhecimentos, formação especializada e intercâmbio entre profissionais.












