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“Para que tenhamos bem-estar social, saúde e educação de qualidade, é necessário o contributo de todos angolanos”

Angola alcançou a sua Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975, libertando-se da colonização portuguesa. Em Novembro de 2024, celebrou 49 anos de sua Independência, sob vários desafios políticos, económicos e sociais 

Neusa Felipe por Neusa Felipe
7 de Fevereiro, 2025
Em Política

No âmbito das celebrações do 50.º aniversário de Independência Nacional, a rubrica “O jovem e a Independência” desta edição traz a visão do jovem estudante de Comunicação Social, Luís Menezes.

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O povo angolano celebrou, no mês de Novembro de 2024, 49 anos da sua Independência Nacional, de igual modo, prepara-se para comemorar, neste ano, os 50 anos de Independência. Enquanto jovem, que análise faz destes 50 anos de Independência Nacional?

É importante compreendermos o contexto histórico que norteou a independência de Angola. Ao contrário das colónias britânicas e francesas que, na maioria dos casos, tiveram uma transição pacífica de poder, em Angola, na qualidade de colónia portuguesa, houve uma transição bélica em que se destacaram os três movimentos de libertação nacional. Após o alcance da independência, o país mergulhou numa guerra fratricida injustificável que vitimou milhares de compatriotas.

Como consequência, os 50 anos de independência de Angola serão marcados por avanços tecnológicos, industriais, educacionais e por atrasos económicos com destaque para a desvalorização da moeda nacional, o alto custo de vida e o fraco poder de compra.

No entanto, convém pontuar o esforço do Executivo em melhorar o saneamento básico, a assistência médica e medicamentosa, a construção de infraestruturas de ensino, unidades hospitalares, rede de distribuição de água potável e energia eléctrica, melhoria na mobilidade urbana e o incentivo à produção nacional.

Os ganhos da Independência Nacional até aqui alcançados têm sido preservados pelos angolanos?

É um facto que os ganhos são preservados por todos nós. É de suma importância continuarmos nesta senda, pois Angola é a Pátria de todos os angolanos. O país é nosso, os ganhos da independência são nossos por direito e devem ser preservados “com unhas e dentes”, pois pagamos com muito sangue, pagamos com vidas dos nossos heróis que tombaram em combate e pagamos com alma de muitos inocentes. Todo angolano tem o dever de preservar a paz, a reconciliação, a soberania nacional e a integridade territorial, pois nós somos e sempre seremos “um só povo, uma só nação”.

Há 49 anos, o povo angolano é soberano e livre da opressão colonial portuguesa. Acha que a reconciliação nacional entre os próprios angolanos foi consolidada? A reconciliação nacional foi um passo muito importante na história política, militar e social de Angola. Se a reconciliação nacional não fosse consolidada, hoje não teríamos a paz, não teríamos assinado os acordos de Luena em 2002.

Não teríamos um parlamento multipartidário ou um exército fundido a partir das FALA (braço armado da UNITA) e das FAPLA (braço armado do MPLA). Hoje é possível ver na mesma casa, no mesmo bairro, no mesmo local de trabalho ou na mesma escola, cidadãos a caminharem de mãos dadas independentemente das suas ideologias partidárias, pois houve a tomada de consciência de que, apesar de eu ser do partido X e tu do partido Y, somos todos angolanos.

Todos os angolanos, de Cabinda ao Cunene, são chamados a participar, neste ano, da grande celebração dos 50 anos de Independência Nacional. Entretanto, olhando para as dificuldades de vida que aumentam a cada dia, acha que o povo se revê nessas celebrações?

Angola vai completar meio século de independência, e esta celebração não é do MPLA de Agostinho Neto, não é da UNITA de Jonas Savimbi nem da FNLA de Holden Roberto.

A independência é a maior conquista do povo angolano. Hoje somos livres de pensar, de falar e fazer as nossas próprias escolhas graças à independência. Somos livres de andar, de dançar e cantar as músicas da nossa terra, livres de qualquer opressão ou censura por parte da PIDE. Hoje não existe salazarismo ou indígenas, assimilados ou brancos.

Hoje, a imposição de ter a 4° classe, falar o português, converter-se ao cristianismo ou ter uma profissão equivalente à da civilização europeia para ser considerado gente é um assunto do passado.

Hoje, os cidadãos angolanos, independentemente da cor, da língua, do nível académico ou do estatuto social, são convidados a refletirem sobre os 50 anos de independência.

Se as dificuldades aumentam a cada dia que passa, este é o momento oportuno para unir forças a fim de ultrapassarmos o actual cenário. Para que tenhamos bem-estar social, saúde e educação de qualidade, é necessário o contributo de todos os angolanos.

 

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