OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 27 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Um pecado “básico”

Jornal Opais por Jornal Opais
27 de Fevereiro, 2023
Em Opinião

E depois da euforia na folia eis que no mundo cristão, mais propriamente na religião Católica, celebra-se a quarta-feira de cinzas como sinal de arrependimento dos pecados cometidos.

Poderão também interessar-lhe...

Angola não é para desistir

Primos como irmãos-Vidas de Ninguém (XVII)

A Casa das Leis de portas abertas é um sinal vivo de democracia

Obviamente e convém deixar claro que o arrependimento é uma espécie de fardo do peso de consciência que nos apoquenta após um acto que viola os princípios de uma sã convivência em sociedade ou simplesmente daquilo em que acreditamos.

Para quem professa a religião católica na quarta-feira de cinzas é-lhes feito uma cruz na testa enquanto o padre diz “arrependei-vos e acreditai no evangelho”.

Com isto começa a Quaresma, uma época de sacrifícios e desafios em que os cristãos se propõem seguir de forma rigorosa e de modos a estarem um pouco distante dos erros do mundo. São só quarenta dias.

Para começar esse processo fui confessar-me. Num dia de semana comum logo após a quarta-feira de cinzas fui a uma igreja e busquei redimir-me dos meus pecados, fazendo uma limpeza àqueles demónios que de quando em sempre apoquentam minha sanidade.

Naquela dia a igreja estava consideravelmente cheia. Haviam pessoas de quase todos os extractos sociais desde os mais miseráveis na aparência aos mais bem vestidos mas que pelo rosto que faziam, quando de joelhos, carregavam todo o pecado que eu tinha.

Esperei pela minha vez e fui descarregar meus problemas ao padre que muito calmamente só ouvia e acenava com a cabeça sem fazer caretas. Foi mais uma conversa para ele do que confessar pecados.

Pela penitência que me foi dada pude perceber que ele não estava zangado comigo. Nem ele nem Deus: “Reze três pai nosso, dez Avé- Marias e um Credo”.

Mal saí e fui logo pagar a minha dívida em oração.

Depois senti-me um homem novo. Já estava pronto para seguir firme e santo.

Para o céu já podia entrar porque pequei, arrependi-me e pedi perdão de coração.

Prometi levar uma vida sensata e sem atropelos aos bons costumes.

Quando saía da igreja lembrei que tinha de comprar pão para casa e abastecer o carro. Tinha apenas uma nota de dois mil cuanzas porque os “miudinhos” de duzentos e quinhentos acabei deixando como oferta depois da oração.

Nem dinheiro no cartão mais tinha.

Eis que na porta quando ia para o carro, uma senhora com o rosto côncavo, pómulos claramente visíveis, de meia idade e vestida de panos da Mamã Muxima, vem até mim e começa logo a chorar dizendo: “meu filho ajuda a tua mãe.

Quero só marcar uma missa de uma ano de falecimento do meu marido.

Ele era assim como você, alto e bonito e não tenho dinheiro pra nada.

Ajuda só”. Comecei a transpirar e disse pra mim mesmo “Isso é azar.

Assim essa tia lhe digo o que então?” Olhei para ela com firmeza. Lembrei que estava a sair da igreja e de uma confissão.

Momento de Quaresma. Já tinha o coração limpo e pecar logo aí estava fora de hipóteses. Era o meu único dinheirinho.

O que fazer, meu Deus? Olhei para o céu, olhei para a senhora, olhei de novo para o céu e para senhora e respondi que não tinha dinheiro.

Pequei na porta da igreja mal tinha acabado de me confessar. Um pecado desses também não pesa muito.

Até porque dinheiro mesmo eu não tinha. Era escolher entre o pão das crianças e o combustível ou a senhora pedinte.

Todas as passagens da Bíblia que dizem “quem dá ao pobre recebe a dobrar” esqueci naquele momento.

Vou confessar-me depois.

Esse é um pecado bem básico.

 

Por: EDY LOBO

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Angola não é para desistir

por Jornal OPaís
27 de Março, 2026

Num tempo em que muitos dos nossos irmãos e compatriotas pegam nas “imbanbas” e na “viola” e seguem estrada fora,...

Ler maisDetails

Primos como irmãos-Vidas de Ninguém (XVII)

por Jornal OPaís
27 de Março, 2026

Kihito caiu em lágrimas quando soube que não poderia casar com a sua amada Kixita, pelo facto de ambos serem...

Ler maisDetails

A Casa das Leis de portas abertas é um sinal vivo de democracia

por Jornal OPaís
27 de Março, 2026

A democracia não se constrói apenas através de discursos nem se consolida exclusivamente por via das urnas. Ela afirma-se, sobretudo,...

Ler maisDetails

Mais do que culpados, precisamos de soluções

por Jornal OPaís
27 de Março, 2026

Por ser um verdadeiro fenómeno social, o futebol deixa de ser apenas um jogo, deixa de ser o golo no...

Ler maisDetails

IV Conselho Consultivo do MINTTICS encerra com compromisso da transformação digital

27 de Março, 2026

Detido cidadão de 43 anos por abuso sexual da neta menor de 2 anos na Lunda-Norte

27 de Março, 2026

Assembleia Nacional participa na reunião do Fórum Parlamentar da SADC

27 de Março, 2026

Obras do Hospital Militar Regional do Huambo concluídos em 2028

27 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.