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Quanto vale a extrema direita em Portugal

Jornal Opais por Jornal Opais
12 de Janeiro, 2024
Em Opinião

O que estará por detrás do crescimento meteórico de um partido e de um líder que, para além de uma retórica destrutiva e criatividade oratória, não se lhes conhece nenhuma para governar Portugal?

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A extrema-directa pode ganhar as eleições de 10 de Março e formar governos em Portugal? É muito difícil, mas não impossível.

Abrigando todo tipo de aberrações políticas e contradições ideológicas, o partido de André Ventura ganha cada vez mais adeptos e hoje poucos acreditam que Portugal possa ter uma solução à direita sem o partido “Chega” partilhar o poder Para que os 600 mil brasileiros que hoje moram no país luso percebam melhor a questão (e o que leva Bolsonaro a apoiar repetidamente Ventura para premiê luso) aqui seguem 10 motivos 1º.

Os partidos grandes – PS e PSD – que sempre designaram o premiê não perceberam que estão a ficar pequenos. 2º. Os líderes desses partidos, originários das juventudes partidárias vivem em uma bolha de cumplicidades onde os seus interesses tácticos não os deixam enxergar como o país é hoje. 3º.

Esses partidos também estão obsoletos do ponto de vista da organização, da captação de militantes e do marketing e da comunicação. Na era da inteligência artificial,eles são verdadeiras máquinas a vapor. 4º.

Todos os outros partidos tradicionais— CDS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista— independentemente do seu posicionamento ou tamanho atual se comportam da mesma forma que os partidos grandes.

Ou se perdem em lutas interna pelo poder ou, pior, preferem acreditar em sombras ideológicas que já não mobilizam a sociedade. São apenas organizações clientelares. 5º.

Os novos partidos “moderados” — a Iniciativa liberal e o PAN— mesmo com boas ideias de mudança, se comportam com oportunistas da política e não manifestam qualquer ambição de governar.

Nenhum diz que quer ser primeiro ministro. 6º.

Os eleitores portugueses estão desiludidos com os políticos “normais” mas… enquanto antes não existia alternativa e a abstenção crescia na imbecilidade do voto útil, hoje alguém a reclama com convicção. 7º.

Mesmo já em plena época préeleitoral, algum dos “,suspeitos” costume se dá ao trabalho de disfarçar que o mais importante é o seu futuro pessoal.

O país pouco lhes interessa. 8º. Se se instalar a ideia de que essa mudança radical pode acontecer, ela vai acontecer mesmo. Não é a lei de Murphy, a quem Trump e Bolsonaro tanto devem, a demonstrar essa tese e seu corolário? 9º.

Se instalou em Portugal a ideia de que, no atual estado de coisas, essa vitória radical pode ser até um mal necessário. 10º.

As empresas de pesquisa em Portugal, devido à exiguidade do mercado são tecnicamente deficitárias, pouco independentes e alinhadas com os poderes tradicionais, contribuindo para a cegueira coletiva.

Ao invés de contar o que o povo pensa, querem ajudar o povo a pensar.

Também por isso têm errado muito os resultado. Com uma eleição antecipada daqui dois meses e uma crise institucional em curso, 2024 apanha os políticos tradicionais despreparados.

Feliz Ano de 2024 a todos os assinantes e leitores da Folha.

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