Ei, parem aí! Qual é o motivo dessa gritaria no meu império? ⸻ perguntou a mandatária da educação. Os professores, vestidos de audácia, falaram em coro:- Viemos questioná-la sobre o verdadeiro papel da educação numa determinada comunidade, senhora mandatária. Pela primeira vez, as vozes soavam em harmonia. Todos enxergavam a mesma realidade; todos lutavam pela mesma justiça.
A titular da pasta sorria, embora o corpo lhe tremesse.- Vocês exercem essa função e não sabem o que ela significa? Acredito que acabarão expulsos, pois desconhecem o vosso papel numa sala com carteiras e quadro.
AJ ergueu-se lentamente e respondeu:- Senhora titular da pasta, per doe-me, mas nós sabemos claramente o que fazemos nas salas de aula. Sabemos que estamos ali para educar… Contudo, o que parece é que nos transformaram em meros fantoches, porque já não nos é concedida a autoridade necessária. E, quando afirmam que ela existe, apenas a encontramos em papéis empoeirados, esqueci dos e a mofarem algures num cofre fechado a mil chaves.
– Ó senhor AJ, o senhor nem de veria falar, pois apenas profere palavras ao vento. Diga-me: qual foi a autoridade que vos retiraram? – questionou a mandatária. Ecoaram murmúrios pela sala. Alguns diziam que o professor era audacioso demais e que deve ria calar-se para não perder o ganha-pão; outros, porém, aplaudiam-no silenciosamente, admirados com a sua coragem.
AJ respirou fundo antes de continuar:- Permita-me refrescar-lhe a memória. Antigamente, o professor era visto como autoridade; era pai, mãe, tio, avô e conselheiro. Havia respeito. Quando um aluno negligenciava os de veres escolares, recebia castigos que o levavam a pensar duas vezes antes de repetir o erro.
Hoje, poucos alunos fazem os de veres de casa. Muitos já não respeitam o professor; alguns chegam mesmo a agredi-lo. Tiraram ao educador a vontade de educar. Se tenta corrigir, logo o acusam de violência, abuso ou de tantos outros nomes modernos que in ventaram para mascarar a ausência de disciplina.
Por: ANTÓNIO ARMANDO








