Angola tem vivido, nos últimos dias, momentos difíceis com as fortes chuvas que têm caído um pouco por todo o país. Em Luanda já se fala em perdas humanas, em famílias desalojadas, em histórias que começam e terminam com dor no meio da noite. Mas hoje, o nosso olhar vai para Benguela, a terra das acácias rubras.
As imagens que circulam não deixam espaço para indiferença. Casas levadas pela força da água, famílias a verem desaparecer, em poucos minutos, aquilo que levaram anos a construir, a ponte do Rio Cavaco destruída, caminhos interrompi dos, vidas viradas do avesso. É difícil imaginar.
Deitar-se com um tecto, com os seus, com alguma segurança… e acordar no meio do caos, sem saber por onde recomeçar. Porque perder coisas materiais já dói, mas perder o pouco que se tinha, aquilo que foi conquistado com sacrifício, com esforço diário, com muitas renúncias… isso tem um peso diferente. E, no meio dessa dor, há algo que também começa a aparecer. A solidariedade.
Pessoas a abrirem portas, a disponibilizarem espaços, a recolherem roupas, alimentos, a mobilizarem se como podem. Pequenos gestos que, juntos, ganham uma dimensão enorme para quem ficou sem nada.
É nesses momentos que se vê o melhor do ser humano. Quando não se pergunta quem é, de onde vem, o que fez… apenas se estende a mão. Mas também é verdade que, no meio de tudo isto, há reflexões que não podem ser ignoradas.
Ano após ano, vemos cenários se melhantes. Construções em zonas de risco, em linhas de água, falta de ordenamento, ausência de fis calização efectiva.
Sabemos que há responsabilidades partilhadas, de quem constrói, de quem permite, de quem devia fiscalizar e nem sempre chega a tempo.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”









