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Parto matinal: um semblante alheio, pranto e pedras

Jornal Opais por Jornal Opais
18 de Dezembro, 2024
Em Opinião

Cada parto matinal, vê-se, em mim, sonhos adiados, uma vitória homicida que me visita toda vez que sonho. Talvez, insurge-me para abrir pernas a grande complexidade desconexa que a natureza traduz-se no seu íntimo ser.

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Sinto cansaço aos ombros de tantos fardos carregados em mim, digo, manhã, tarde e dias ainda são noites em mim. Estes desafios intentam-me em gestos incrédulos, a entoação da derrota silenciosa em minha alma sofredora.

Um longo caminho percorro, rio camuflado, a meré dos dias e a hasta me fazem juízos à palmos da terra. Sigo firme, tenho pomba branca no peito, o meu dia está empacotado nas minhas derrotas, a luz vem com leveza da escuridão.

Nu dez [Nudez] vezes à minha boca, diz para te [disparate] aos olhos teus e meus sofredores. Não cabem as pedras no coração, sentimó-las na cabeça. Meus pés calçam caminhos desconhecidos à bsuca da luz, soume, quiçá deus.

Abençoo-me, busco na escuridão Deus, que me a(s) cenda até as montanhas do próspero, negando-me a esperança inóspita a mim. Sozinho. Pedras fazem meus caminhos.

O tempo me foge ao relógio. Tudo mau nem bom, infeliz nem feliz, demónio nem anjo, estes patrocinam gasolina para o andar da minha vida. A vida, indubitavelmente, não quer morte como sedactivo absoluto da última flor da natureza.

Quem, por exemplo, pode oferecer o botão da inexistência, há, aqui, enormes pedras no caminho. Há calor da fome. Calor do país apropriado. Calor de tudo. Extremidade de um deus filosófico-militar.

“Em espinhosos caminhos, nasce um ser disciplinado.” Inscrevo-me à escola dos holofotes na escuridão aparente, escrevo nada que me restou no incalculável fingir da minha vida.

Uma sombra detém raios de grandes suspeitas, leio errado o mundo, no amanhecer, entardecer, até anoitecer húmido das pequenas celebrações. Último túmulo. Invoco meu resplandecer na térmica dos desejos molhados no ventre fadado de desilução que encarnam ausência de átomos.

O brio entardece desapego. Com calma, o suicídio de um homem conduz-se às guisas repentinas, que empurram água, ar, vida, na fórmula equivocada dos deuses.

Alhures, sigo o perfume íngreme da luta que cheira sol, a caminho da vida, sirvome: letra por letra no prato prantos de todos. sinto a fenecer a pátria nos braços sem poesia. Penetro o nariz para que o vapor do rio alcance seu original cheiro. Vendo olhos para que eu sinta os sentidos de outros.

De repente, sinto o corpo a palpitar, o olhar boia-me ao ver a plenitude do ganho de Ferdinand de Saussure com palcos a cantar angústia ao seu prazer. A produção do vácuo está ser bem cantada, repito, cantada à luz dos instrumentais dos carentes de tudo, que bebem esse rio de hostilidade depravante.

Um desaforo perpétuo que só sabe tocar, com uma composição à dos homens, sim, eles têm o bem-fazer. O rio não tem tranquilidade, é de per si autêntico no ceguedismo, populismo, amarras dos políticos e afins, que denunciam escravidão em casa própria.

 

Por: Vânio Mwandumba

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