Nossa Seguros BFA EMPEMA-ENSA BANCO BAI STANDARD-BANK MEDIANOVA-FNC SOCIJORNAL
Seg, 27 Jul 2026
OPaís
Ouça Rádio+
  • FILDA 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís
  • FILDA 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís

Palavra de honra – Vidas de Ninguém (XIII)

Domingos Bento por Domingos Bento
27 de Fevereiro, 2026
Em Opinião

«Bruxa, xira, ngapa, feiticeira», abusavam os miúdos no bairro que ela ajudou a erguer quando, ainda jovem, na casa dos 15 anos, foi lá morar, fugindo da intensa guerra que assolava o Huambo. A idade foi passando e mais velhinha a avó Sambita foi ficando.

O rosto cansado, o olhar distante, a perda das forças e a frieza no contemplar não serviram para que as pessoas tivessem o mínimo de respeito por quem viu a vida seguir o seu curso, sem nunca ter corrido mais do que aquilo que o tempo pudesse permitir.

No bairro todos a acusavam de bruxa, mas ninguém tinha provas. Os seus cabelos brancos, puxados pelos 71 anos de idade que carregava, não eram sequer respeitados. E tudo o que dava errado no bairro os vizinhos lhe culpavam. Até mesmo quando os cães na rua não ladravam durante a noite, era ela a culpada. Não havia quem a pudesse defender das acusações.

O seu ventre não gerou filhos. O único homem a quem jurou amor tinhaa abandonado ainda no calor da mocidade. Tinha ela 35 anos quando ele foi embora, porque não poderiam gerar descendentes. «Essa meteu a nascença na maiombola. Não conseguiu alcançar para comer os nossos filhos, sua bruxa de uma figa. Vais acabar no inferno, feiticeira», xingava a mana Rosita, vizinha de porta a porta.

Noutro dia, também a filha da mana Tetinha não dormiu durante a noite por causa da tosse e da febre que ardia sob o corpo. Quando amanheceu, ao invés de se preocuparem em levar a criança ao hospital, foram logo acusar a avó Sambita de ter feito macumba. Bateram nela, chamaram-lhe todos os nomes feios. Inclusive, o Cassongo já havia comprado petróleo, recolhido sacos plásticos e fósforos para queimá-la.

Se não fosse o Capingala, o militar que tínhamos no bairro, que dispersou a multidão com dois tiros para o ar, a coitadinha da velha seria queimada. Enquanto batiam nela, os panos desprenderam-se do corpo e toda a comunidade viu a sua nudez de 71 anos exposta, sem o mínimo de respeito. As suas mãos calejadas, o corpo frágil, as rugas marcadas registaram os sinais da brutalidade e da violência gratuita contra a pobre velhinha. «Parem com isso. Quem voltar a mexer nesta senhora sou capaz de enfiar-lhe uma bala nos cornos.

Querem gozo ou quê? Só um bruxo é que consegue ver o outro bruxo. Então, se vocês dizem que ela é bruxa, é porque vocês também são outras cambadas de bruxos», atirou o vizinho Capingala, visivelmente chateado, empunhando a pistola nas mãos.

«Erreh, mas esse aqui então está a acudir assim essa bruxa porquê? Será que foi ela quem lhe deu pau para entrar nas Forças Armadas…», cochichavam nos cantos a Miloca e a Maneva, que naquela manhã também ajudaram a bater na velha Sambita, que, fruto da violência, perdeu dois dos poucos dentes que tinha. Até o Pimbito, que a velha ajudou a criar quando era criança, naquele dia também bateu nela.

Dizia que era ela a culpada por não conseguir emprego e uma mulher de verdade. Mas como é que ele devia trabalhar, se passava a vida a beber à toa no bairro? Sempre que conseguia um emprego, era enxotado no mês seguinte porque, quando o salário caía, fazia festa e esquecia o trabalho. Só se lembrava de voltar ao serviço quando o salário terminava. Por isso, a mulher dele tinha ido embora.

Que esposa digna devia perder tempo com um homem que só cheirava a bebida a todo o instante? «Queimem essa bruxa aí. Por causa dela perdi a minha mulher e o meu emprego. Queimem também a vassoura dela», gritava, eufórico, o Pimbito ao lado daquela multidão enorme, enquanto dava chutes nas coisas da avó. Nem sequer tinha dó daquelas panelas velhas e escuras com o fumo da lenha que o ajudaram a ser homem.

Os panos pretos, a casa de pau-a-pique, o candeeiro a petróleo, a esteira onde a velha dormia e o cesto de roupas dela, que ficava no canto do quarto de chão de terra batida, foi tudo jogado fora durante a agressão que ela sofreu. «Palavra de honra, juro perante as vossas injustiças sobre mim: se acham que sou feiticeira, então levem-me à Santa Ana.

Cortem o meu corpo, deixem que o meu sangue escorra pelo chão, que vai transformar-me em pó. Mas, se eu não sou feiticeira, espero que vocês saibam aguentar o peso da justiça de Deus… porque esta é certa», lamentava a velha Sambita, enquanto se contorcia de dor, ensanguentada, estendida no chão, depois da violência gratuita de que foi vítima.

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

O caminho para a cop 31, uma reflexão sobre questões ambientais no contexto geopolítico

por Jornal OPaís
27 de Julho, 2026

A Conferência das Partes (COP) é certamente um dos maiores palcos das decisões sobre questões ambientais, seguramente, o maior espaço...

Ler maisDetails

Portugal e Angola: quando a estatística desafia a história

por Jornal OPaís
27 de Julho, 2026

Há momentos em que a estatística deixa de ser apenas um exercício técnico e passa a representar um verdadeiro teste...

Ler maisDetails

Ao resgaste da história da ANGOP

por Jornal OPaís
27 de Julho, 2026

A história da Comunicação Social na Angola independente não pode ser escrita sem reconhecer a audácia, a dedicação e o...

Ler maisDetails

É de hoje… A paixão dos ‘hackers’ por Angola

por Dani Costa
27 de Julho, 2026

Foi em Janeiro deste ano que o Ministério Público, por conta de dois processos existentes, emitiu um mandado de captura...

Ler maisDetails

Cazombo regista mais de mil casos de sarampo e oito mortes

27 de Julho, 2026
Imagem meramente ilustrativa

MINOPUH e GAV assinam hoje memorando para elaboração de estudos da futura Autoestrada Oeste-Leste

27 de Julho, 2026

MININT e Câmara de Comércio Angola-China reforçam cooperação em matéria de segurança

27 de Julho, 2026

Grupo Carrinho distinguido como melhor expositor na categoria de alimentação e bebidas da FILDA 2026

27 de Julho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • FILDA 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.