A história da Comunicação Social na Angola independente não pode ser escrita sem reconhecer a audácia, a dedicação e o sacrifício de jovens (homens e mulheres) que, em Julho de 1975, lançaram as sementes da então Agência Nacional Angola Press (ANAP), rebaptizada três meses mais tarde como Agência Angola Press (ANGOP).
Num período de extrema complexidade e incertezas, a escassos meses da proclamação da Independência Nacional, um colectivo composto por jovens estudantes, movidos pelo ideal da liberdade e por militares temperados pela disciplina, uniu-se para erguer os ali cerces da soberania informativa do país. A história é feita por quem tem a coragem de dar o primeiro passo no escuro.
Naquele Cacimbo de 1975, um grupo de angolanos decidiu assumir esse desafio, no número 18 da Rua General João de Almeida, pouco depois baptizada de Rua da Liberdade, na Vila Alice, em Luanda. Naquela rua desenhava-se muito do futuro do país que iria nascer.
Sem as ferramentas tecnológicas do presente nem o conforto da paz, os fundadores contavam apenas com um empenho inabalável para ultrapassar as carências materiais da época, distribuindo os trabalhos iniciais sob a forma de boletins impressos, até ao histórico primeiro despacho telegráfico de 11 de Novembro daquele ano.
Esse passo gigantesco foi dado já nas exíguas instalações temporárias cedidas à ANGOP no Palácio da Presidência da República. Esta força pioneira fundiu duas realidades da sociedade de então: a irreverência da juventude académica, que trocou as salas de aulas pela urgência de relatar os acontecimentos, e a têm pera de combatentes e antigos guerrilheiros, como o malogrado Pedro da Rosa Carmona “Bujarda”, que trouxeram o rigor das frentes de combate para a batalha da informação.
Neste mosaico de bravura, é imperioso sublinhar o papel fulcral das mulheres que integraram este núcleo inicial. Nu ma época em que as redacções eram maioritariamente com postas por homens, a presença e a firmeza destas pioneiras não foram acessórias.
Representaram a afirmação de uma nova Angola, onde a sensibilidade, o profissionalismo e a resistência das mulheres se fixaram na linha da frente da nossa emancipação jornalística. Divididos nas suas missões especificas, mas unidos pelo ide al patriótico, estes profissionais estruturaram o grupo em pilares.
Primeiro, a Direcção-Ge ral, sob liderança de Luís Neto Kiambata (Loló Kiambata), Jo sé Mena Abrantes, Siona Bole Casimiro e Maria Manuela Pitra (Nela Pitra), que guiaram a instituição nos momentos mais de safiantes.
Segundo, a Redacção que era composta por repórteres destemidos, alguns dos quais traziam a experiência adquirida na feitura de textos que narravam, de forma livre e sem amarras formais, o quotidiano do movi mento grevista dos estudantes do ensino secundário, que antecedeu a Independência de Angola. Terceiro, a Equipa Técnica que fazia milagres para assegurar as transmissões.
Por: NAZARÉ VAN-DÚNEM
FILDA 2026





