É para nós, angolanos em geral e fiéiscatóli cos em particular, uma alegria imensurável e inegociável receber em nosso solo pátrio, na nossa Igreja, o Sumo Pontífice Papa Leão XIV, o sucessor do Apóstolo São Pedro.
Por ser o terceiro Papa que nos visita, precedido por São João Paulo II e Bento XVI, confirma-se a maturidade da fé da Igreja em Angola e manifesta-se de forma clara as saudáveis relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Estado Angolano, pois a visita papal é revestida não só de caráter religioso, espiritual e pastoral, mas também diplomático e histórico; assim, Angola voltará a escrever o seu nome na história universal e acrescer o seu acervo ao nível da sua história particular.
A apologética católica vê o emergir da figura de Pedro numa sábia interpretação bíblica, desde o Antigo ao Novo Testamento. Isaías 22,20-23: “Naquele dia, cha marei o meu servo Eliaquim, filho de Hilquias.
Vesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com a tua faixa, porei nas suas mãos o teu poder; será como pai para os habitantes de Jerusalém, para o povo de Judá.
Porei sobre os seus ombros a chave do palácio de Davi: o que ele abrir, ninguém fechará; o que ele fechar, ninguém abrirá. Fixá-lo-ei como prego em lugar firme; será como um trono de glória para a casa de seu pai.”
Este texto é teologicamente paralelo ao de Mateus 16, 18-19: “Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo não prevalecerão contra ela; nada poderão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.” Trata-se de uma referência intencional da tradição davídica sobre a constituição do governo, em que Eliaquim – Pedro; Chaves da Casa de David
– As Chaves do Reino do Céu; Autoridade delegada pelo Rei para governar a Casa; Abrir e Fechar – Ligar e Desligar; Pai para os habitantes de Jerusalém – Papa (pai) e o Lugar firme/trono – Cátedra de Pedro.
Tal como a Pedra de Fundação do Templo de Jerusalém, segundo a tradição judaica, “selava as águas do caos do abismo”, Jesus Cristo, ao fundar a Sua Igreja, o faz sobre a “Rocha firme”, Pedro, que é o fundamento visível que impede que as “portas do abismo prevaleçam contra ela”. O ministério dado a Pedro não retira a autoridade, nem a glória de Cristo; muito pelo contrário, a manifesta e exalta.
Tal como David não deixou de ser rei ao entregar as chaves a Eliaquim, também Cristo não deixa de ser a Cabeça da Igreja ao entregar as chaves a Pedro; com estas palavras o faz Pastor do Seu Rebanho, Seu Vigário.
Na afirmação de Cristo, segundo a qual “as portas do inferno não prevalecerão contra ele (a Igreja)”, remete-se à ideia de continuidade desta Igreja, que não terminaria com a morte de Pedro; trata-se de um edifício perene.
Para isso, a função da Rocha deve permanecer. Tal como o cargo de “mordomo-mor” não havia começado com Eliaquim, pois este recebeu de Chebna, com a sua morte, este ofício continuou.
Sendo Roma o lugar do martírio dos pilares da Igreja, Pedro e Paulo, os Padres da Igreja percebem que o lugar de martírio de um Apóstolo consagrava aquela Sé, e, sendo Pedro o primusinter pares dos Após tolos, a sua última Sé (Roma) herdou o seu primado, pelo que o Bispo de Roma é o Papa, sucessor de Pedro.
O Papa é o princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis (CIC n. 880). Mas Jesus não escolheu ape nas Pedro, mas sim doze apóstolos (Cfr. Mc 3.13-19), constituindo assim um “colégio dos Apóstolos”;
Jesus Cristo não conferiu o poder de forma fragmentada, mas sim deu a um grupo que possui uma cabeça, e isso fica presente no primeiro Concílio, o de Jerusalém (Act 15).
Pedro toma a palavra, mas a deci são é tomada em conjunto, sob a assistência do Espírito Santo; assim é o Papa com os Bispos, que em virtude da sua instituição divina são sucessores dos Apóstolos como pastores da Igreja (CIC n. 862).
Tal como a Pedro, Jesus mandou “apascentar o Seu rebanho” (Jo 21,15-17); “confirmar os seus irmãos na fé” (Lc 22,31-32), também hoje pede o mesmo ao Papa como sucessor de Pedro.
Por: PADRE FRANCISCO CLEMENTE KALUNGA









