Dizem que o jornalismo desportivo é a melhor profissão do mundo para trabalhar. E, sejamos honestos, não estão totalmente errados: há estádios cheios, emoções ao rubro e a possibilidade de dizer “eu estava lá” nos grandes momentos. O problema é que muitos chegam a este campeonato a pensar que basta saber gritar “golo!” com estilo… e esquecem-se de treinar o básico, a verdade.
O jornalismo desportivo é um fenómeno quase tão contagiante quanto o próprio jogo. Move multidões, mexe com o humor das cidades e, em alguns casos, decide até o clima dentro de casa, há casamentos que sobrevivem a tudo… menos a um clássico mal digerido. E é nesse terreno sensível, onde a emoção corre mais rápido que qualquer extremo, que o jornalista entra em campo.
Não como adepto, mas como árbitro invisível da informação. Recentemente, em Lausanne, essa cidade da Suíça que é uma espécie de “capital moral do desporto”, realizou-se o 88º congresso da Associação Internacional de Jornalistas Desportivos. Mais de cem países reunidos, uma verdadeira Liga dos Campeões da informação desportiva, onde não se discutiu quem joga melhor, mas quem informa melhor.
E isso, convenhamos, é um campeonato bem mais exigente. Angola marcou presença, com orgulho e responsabilidade, num ambiente onde ficou claro que o jornalismo desportivo não é só contar histórias bonitas é, acima de tudo, evitar contar histórias erradas. Porque hoje, entre cliques, likes e manchetes apressadas, há quem confunda opinião com “dor de cotovelo”, rumor com notícia e preferência pessoal com linha editorial.
E aí, meu amigo, já não estamos a falar de jornalismo… estamos a falar de freestyle humorístico. A ética e a deontologia continuam a ser o VAR desta competição. Podem até demorar a intervir, mas quando o fazem, mostram sem piedade quem jogou limpo e quem tentou marcar o golo com a mão. E não há replay que salve um profissional que troca a ver dade pela conveniência. Os mais experientes, nós que já passamos por redações sem Wi-Fi, de adlines impossíveis e entrevistas arrancadas quase a ferros têm aqui um papel crucial. São os capitães de equipa deste balneário chamado jornalismo desportivo.
Cabe-nos mostrar que não se constrói uma carreira sólida com “pimpas”, nem com manchetes fabricadas que duram menos que uma conferência de imprensa. E os mais novos, que entram com fome de protagonismo (e, às vezes, mais “viciados” que os kotas), precisam perceber rapidamente que neste campeonato, não ganha quem fala mais alto, mas sim quem acerta mais vezes. Ser humilde não é fraqueza, é inteligência táctica.
No fim, o “Campeonato da Credibilidade Informativa” não tem troféu físico, nem festa no relvado, mas tem algo muito mais difícil de conquistar e fácil de perder: a confiança. E essa, ao contrário de um resultado, não se recupera no período de compensação as neutralizações. Porque no jornalismo desportivo, pode até haver polémica… mas nunca pode faltar a verdade.
Por: Luís Caetano









