Quero dar aqui o meu testemunho, enquanto jornalista e enquanto leigo, sobre aquilo que representa para mim a vinda de Sua Santidade o Papa Leão XIV a Angola, agora a partir do dia 18 deste mês.
E faço-o também à luz da experiência muito intensa que vivi como jornalista na cobertura da visita do Papa Bento XVI a Angola, em Março de 2009. Lembro-me bem desse período.
Estávamos a viver os primeiros meses depois do ano eleitoral de 2008, que foi um ano muito trabalhoso para nós, jornalistas. Naquela altura, eu já tinha deixado a Televisão Pública de Angola e encontrava-me a integrar um novo projecto de televisão, a TV Zimbo, que tinha surgido no final de 2008 e que, em 2009, já era uma realidade.
A visita do Papa Bento XVI acabou por ser um dos primeiros grandes testes dessa nova estação e, ao mesmo tempo, um dos maiores desafios profissionais que enfrentei. A nossa redacção era jovem, cheia de talentos vindos da televisão e da rádio, e tínhamos uma liderança muito ambiciosa, com Amílcar Xavier a assumir um papel fundamental na orientação editorial e na forma como encarávamos as reportagens.
Os profissionais foram escolhidos com muito critério, precisamente para garantir uma cobertura à altura daquele acontecimento histórico. Mas a verdade é que, sen do nós uma redacção pequena, o desafio era ainda maior. Não tínhamos os meios humanos e logísticos de uma estação maior, como a TPA, com equipas espalhadas por todos os cantos.
Tínhamos de nos desdobrar, literalmente, como atletas. Lembro-me de que começámos pela cobertura da chegada do Papa Bento XVI ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. Fiz essa cobertura com o Paulo Duda e outros companheiros.
Na altura, já tínhamos meios tecnológicos bastante modernos para directos, o que era uma novidade importante no contexto televisivo angolano. A TV Zimbo trouxe precisamente esse impulso novo, essa capacidade de fazer televisão de forma mais imediata, com informação instantânea e pontual. E essa visita papal foi uma oportunidade para mostrar isso em pleno. Depois do aeroporto, tivemos de seguir rapidamente para outros pontos.
Eu fui para a Nunciatura Apostólica, no Largo Martin Luther King, que era o local de acolhimento e acomodação de Sua Santidade. Aquilo era impressionante. O espaço parecia pequeno para tanta gente. Havia uma moldura humana enorme, impossível de quantificar.
As ruas adjacentes estavam cheias. Não se passava com facilidade. E, para nós, jornalistas, havia ainda outro desafio: disputar o melhor ângulo, o melhor lugar, a melhor imagem.
Muitas vezes isso criava tensão entre colegas de diferentes estações e com repórteres fotográficos, todos à procura daquele pequeno espaço onde se pudesse captar melhor o Santo Padre.
Por: ALEXANDRE COSE
Jornalista, Consultor de Comunicação e jurista









