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OPaís

Onde o deserto beija o mar, Moçâmedes faz-nos sonhar

Jornal OPaís por Jornal OPaís
3 de Abril, 2026
Em Opinião

Desde a descoberta do fogo, o homem deixou de ser totalmente vítima da natureza. No final do século XX, a sociedade humana começou a libertar-se, de forma gradual, da condição de submissão absoluta, processo que se acelerou significativamente com os avanços científicos e tecnológicos regista dos nos últimos 25 anos.

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Hoje, não apenas os corpos evoluíram: até à inteligência já é artificial. Isso de monstra que é possível transformar o que está ao nosso redor em verdadeiros oásis de prosperidade, paz, tranquilidade e bem-estar, capazes de satisfazer as necessidades mais urgentes da humanidade. Anualmente, durante o período das chuvas, grandes volumes de água desaguam naturalmente no oceano.

Este fenómeno possui um importante valor ecológico, contribuindo para o equilíbrio das espécies da fauna e da flora ma rinha. No entanto, o aproveita mento deste recurso precioso tornou-se uma necessidade imperiosa para uma região que, desde os primórdios, enfrenta as adversidades da natureza.

Nos últimos anos, o ciclo hidrológico tem sofrido alterações significativas em consequência das mudanças climáticas provocadas pelas acções humanas. No sul de Angola, onde a seca cíclica condiciona há décadas a vida das populações, a construção da Barragem do Bero, no município de Moçâmedes, província do Namibe, é apontada como uma das obras mais estratégicas do Executivo para garantir o abastecimento permanente de água.

Lançada em junho de 2025, com conclusão prevista para março de 2028, a obra apresentava, em março de 2026, uma execução física de cerca de 12%. Hoje, quem visita a garganta do Bero já consegue vislumbrar o início de uma resposta sustentável para o com bate à seca e à desertificação em Moçâmedes. A Barragem do Bero é um dos maiores projectos recebidos pelo Município no período pós-independência, talvez apenas superado pelo Projecto Integrado de Desenvolvimento da Baía de Moçâmedes.

A iniciativa integra o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), cujo objectivo é garantir o abastecimento de água à população e impulsionar a agricultura e a actividade económica local. Avaliada em 285 milhões de dólares norte-americanos, a obra tem um prazo de execução de 36 meses e prevê a criação de cerca de 5.500 empregos directos.

Após a conclusão, deverá ainda gerar novos postos de trabalho com a dinamização de negócios e investimentos na região. A barragem, construída em betão compactado com cilindros, terá capacidade para armazenar 81,4 milhões de metros cúbicos de água e permitirá a irrigação de cerca de 1.417 hectares de terras aráveis.

O projecto, integrado no PCESSA, prevê beneficiar mais de dois milhões de habitantes nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla até 2027. É igualmente importante referir que a cidade de Moçâmedes ainda enfrenta sérios problemas relacionados com a capacidade de produção e distribuição regular de água. Por esse motivo, estão em

curso projectos relevantes que incluem mais de cinco mil ligações domiciliárias para os bairros Sai dy Mingas 2 e Valódia. Os beneficiários aguardam com grande expectativa a conclusão e entrega dessas infra-estruturas.

A referência à Barragem do Bero como uma solução estruturante para o problema da produção de água é fundamental, uma vez que a água de consumo da cidade é, de origem subterrânea, captada a partir de aquíferos com profundidade superior a 50 metros.

Esses aquíferos são reabastecidos essencialmente pelas águas das chuvas, tanto as que caem directamente quanto as que drenam para o mar vindas do interior em determina dos períodos do ano.

Leia mais em…

Por: ABELARDO LEMBA

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